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Em 13 de março de 2020 - às 8:37

Auditora recebe caso de assédio a mulher em gráfica de Boa Viagem

Acompanhada de sua advogada e dirigentes do Sindicato, funcionária da gráfica Oasis revelou o martírio vivido durante mais de cinco anos no local

Em plena semana que se comemora o Dia Internacional da Mulher, uma trabalhadora de uma das duas gráficas rápidas de um mesmo dono em Boa viagem, prestava queixa do patrão por ter sofrido assédio moral antes e depois de ter cobrado salário de fevereiro e os seus direitos trabalhistas durante os 5,4 anos em que labora na unidade no bairro nobre do Recife. Acompanhada de sua advogada e por diretores do Sindicato da categoria (Sindgraf-PE), a exemplo de Lidiane Araújo, a operadora de máquina de xerox revelou os abusos vividos para a auditora fiscal que acompanhava os depoimentos no processo administrativo de nº 13623.101190/2020-58. O dono da gráfica, apesar de ter sido notificado, não compareceu ao local.

 

“Ele me mandou ir à merda no mês passado” falou a operadora uma das grosserias que garante ter sofrido e gravado inclusive as últimas ofensas. Contou também que era xingada se não limpasse os vidros e recolhesse o lixo da empresa. A profissional revelou que sofreu com esse tratamento durante todo seu vínculo empregatício na gráfica Oasis, onde em carteira sua função é de auxiliar administrativa. Mas o estopim foi no pós-Carnaval deste ano, já a partir da quarta-feira de cinzas, onde passou até mal, tendo de ir para casa diante da pressão sofrida. O patrão cobrou a sua presença no trabalho na 2ª feira de Carnaval, mesmo não tendo avisado que este ano seria diferente dos cinco anteriores, quando nunca houve expediente.

 

A ata do processo trás que o tratamento ofensivo voltou a ocorrer no dia seguinte. O patrão inclusive só havia pago cerca da metade da quinzena da trabalhadora, sendo evidentemente cobrado pelo pagamento correto.  Ela revelou que a grosseria ampliou e foi mandada embora da empresa. Garantiu que a agressividade do patrão contra ela e outras empregadas que passaram pela empresa era comum e não era aplicada aos homens. Garante ter sofrido até ataques sexista. No seu depoimento consta que o proprietário a acusou de estar se “esfregando” com uma ex-empregada. Revelou também ter sofrido com ofensas dele até quando estava grávida.

 

A situação complicou ainda mais na última semana quando a trabalhadora foi cobrá-lo pessoalmente o pagamento do salário. De início, parecia que ocorreria, mas o patrão ficou contrariado porque a auxiliar administrava foi acompanhada de um parente do sexo masculino. Aí ele disse que levariam todos à delegacia, o que não ocorreu, assim como o pagamento.

 

Lidiane acompanha o caso e adianta que a trabalhadora decidiu que vai acionar a justiça contra o empresário. Primeiro, sua advogada deve entrar com pedido de rescisão indireta, que na prática é uma demissão do patrão porque ele não cumpre as obrigações legais. Usará inclusive a ata deste processo na Superintendência Regional do Trabalho em Pernambuco. E também deve entrar com pedido de tutela antecipada para poder resgatar o dinheiro do FGTS depositado e dar entrada no Seguro-Desemprego. “A ação judicial também buscará garantir todos os direitos que ela possui nestes mais de cinco anos que conviveu neste ambiente de trabalho”, fala.

 

O caso serve para ilustrar o quanto deve existir um número bem grande de mulheres que sofrem violências também no ambiente de trabalho. “O quanto essa trabalhadora da gráfica Oasis está sendo corajosa. Mesmo que custe o seu emprego, mesmo tendo uma filha pequena, deixa claro que nada é superior ao respeito. O Sindgraf estará apoiando-lhe em tudo que estiver a seu alcance e dentro da legalidade, assim como em favor de todos/as trabalhadoras gráficas em PE. Sindicalize-se! Juntos e juntas, somos sempre mais fortes”, garantem Lidiane e Evandro Tavares, diretor sindical que também acompanhou a trabalhadora durante o depoimento.

[+ Informe Diário]

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