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Em 1 de fevereiro de 2021 - às 10:05

Categoria gráfica se despede de Neide da frente de luta do sindicato

"Deixo não só meu trabalho, mas parte da minha vida onde aprendi e pude auxiliar na organização e na defesa dos gráficos nestes últimos 29 anos", diz a secretária (Neide) da segunda casa dos trabalhadores, que é o Sindgraf-PE – local onde a classe busca proteção do salário, direitos e condições de trabalho para não ser atropelada pelo patrão

O trabalhador gráfico pernambucano conhece bem a sua segunda casa fora de casa: o Sindgraf-PE – entidade de quase 90 anos na proteção do salário, direitos e condições de trabalho da categoria no estado. Não à toa os profissionais têm e sabem bem onde recorrer em sua defesa quando os patrões tentam atropelá-los. Nos últimos 29 anos, por sinal, todo gráfico que buscou a proteção da sua casa sindical passou pelas mãos de dona Neide – secretária do Sindgraf-PE que por fone e pessoalmente realizava o primeiro atendimento da categoria. Porém, nesta segunda-feira (1º), ela não será mais vista nesta frente de batalha sindical. Felizmente, inicia o primeiro dia como aposentada.

 

“Ainda não sei bem o que fazer. Uma coisa é tirar férias, outra é deixar de ir ao Sindgraf que há anos não é só o meu trabalho, mas parte da minha vida e onde aprendi muito e sei que pude contribuir na defesa dos gráficos de alguma forma. Conheci muitos trabalhadores. Muitas histórias. Muitas famílias. Sei que sou meio chata, mas acho que a classe gosta de mim. Fiz meu melhor”, conta Neide, relembrando inclusive dos dias, noites e até madrugadas que ficava na sede dando suporte às greves nas empresas.

 

Neide foi secretária do Sindgraf ainda quando a sede era na rua Visconde de Goiana, na gestão do presidente Marivaldo e depois Jairo. Ela lembra do seu primeiro dia: 17 de agosto de 1992. Só não tem saudade da época por conta da precariedade da sede, um único vão de telha Brasilit, dividido em uma parte para banheiro e cozinha. Com alegria, relembra da mudança para a nova sede (a atual) no ano de 1997. Mas antes funcionou em uma sala emprestada no Sindicato dos Jornalistas. A inauguração da sede foi na gestão do presidente Nilson e Iraquitan como tesoureiro, sendo depois presidente por vários mandatos e no atual, alternando o comando uma vez com Ricardo.

 

“Começaria tudo de novo. Mas, dessa vez, com mais experiência sobre o movimento sindical, sobre os direitos e sobre a organização dos trabalhadores. Sei que ajudei nestas décadas, mas poderia ajudar mais agora. Assim, deixo um conselho aos sindicatos, não somente ao Sindgraf-PE, sobretudo para as centrais sindicais: é preciso mais unidade na luta para reagrupar a correlação de forças em defesa dos trabalhadores nesta conjuntura político-econômica terrível”, fala Neide

 

Ela completa lembrando de muitas coisas que ouviu e viu nestes 29 anos, sobretudo na última década: Infelizmente, tem muitos gráficos que ainda caem na lábia do patrão e viram as costas para seu sindicato, sendo depois atropelado pela empresa e tendo que ir buscar a proteção na sua casa sindical que se tornou o seu último abrigo, quando deveria ser o primeiro.

 

São décadas de muitos desafios e lutas, das quais aumentam a cada ano, ainda mais agora com governo que defende emprego sem direito, o que demanda um Sindgraf ainda mais forte para manter a Lei do Gráfico (conjunto de direitos e salários superiores a CLT). “O Sindgraf não são só os dirigentes. Não é só a sede. Sindicato é cada um dos trabalhadores gráficos que dá condição ao seu sindicato para que possa continuar fazendo seu papel de guardiã da categoria. Portanto, aconselho que se sindicalizem e participem do seu sindicato não como último abrigo, mas como primeiro”, se despede Neide, muito agradecida e emocionada por tudo que viveu ao lado dos gráficos pernambucanos.   

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