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Em 1 de dezembro de 2017 - às 6:31

Comitê do Sindgraf-PE localiza violências contra mulheres gráficas

Os assédios moral e sexual praticados contra mulheres no ambiente de trabalho e outras formas de violências em qualquer local são verificadas infelizmente pelo mundo, no país e no estado. O cenário não é diferente nas gráficas, segundo monitoramento recém concluído pelo Sindicato da classe (Sindgraf-PE), através do Comitê Feminino do órgão que coletou no último mês depoimentos espontâneos de mulheres que sofreram ou ainda sofrem violências terríveis. Algumas delas serão expostas sem revelar o nome das profissionais. Os depoimentos foram passados pela hashtag  #ChegaDeViolenciaContraAMulherNoTrabalho, criada pelo Comitê, em menção ao último sábado (25/11), que foi o Dia Mundial da Não Violência Contra as Mulheres, instituído pela ONU desde 1999.

 

Segundo a Organização  Internacional do Trabalho, órgão ligado à ONU, mais da metade das mulheres economicamente ativas no mundo já sofreram assédio sexual. “O assédio moral e sexual são atos cruéis que caracterizam uma atitude violenta e sem ética nas relações de trabalho praticada por um ou mais chefes contra seus subordinados: humilham, desqualificam e abalam a saúde emocional da vítima com a organização e o ambiente de trabalho”, cita Lidiane Araújo, coordenadora do Comitê, o próprio entendimento do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil. A sindicalista realça que esses assédios contribuem no fortalecimento da manutenção da cultura da violência contra a mulher, ainda verificada em todos os espaços sociais, não sendo diferente no local de trabalho.

 

O conjunto de violências é tão vasto que,  desde 1999, a ONU instituiu o último dia 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. 25 de Novembro foi escolhido porque neste dia no ano de 1960, as irmãs dominicanas Pátria, Minerva e Maria, conhecidas como “Las Mariposas”, foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três combatiam aquela ditadura e pagaram com a própria vida. Quase quatro décadas depois, a ONU instituiu o dia de suas mortes como o dia de resistência.

 

Neste sentido, ao longo do último mês de novembro, preocupado com a situação das trabalhadoras gráficas pernambucanos, o Sindicato da categoria (Sindgraf-PE), através do Comitê Feminino, criou a hashtag #ChegaDeViolenciaContraAMulherNoTrabalho em suas redes sociais. “Criamos e pedimos que as companheiras nos contassem os relatos de algum tipo de violência sexual ou moral sofrido nas gráficas do estado. Foram mais de 100 participações de mulheres gráficas”, revela Lidiane.

 

Com o entendimento de que não adianta se calar diante das violências, pois, quando se cala, a violência continua, mesmo sem a vítima querer, o Comitê Feminino do Sindgraf-PE dará visibilidade a alguns absurdos praticados contra as trabalhadoras gráficas no estado, a fim de expor e repudiar as ações desumanas dos agressores e as formas de violências, objetivando que elas serão erradicadas em breve. A exposição também visa inspirar mais trabalhadoras que possam denunciar tais atrocidades, até que toda forma de violências contra as mulheres sejam dizimadas.

 

CONFIRA AQUI alguns dos depoimentos das trabalhadoras gráficas do estado de PE, que expõe as violências sofridas no ambiente de trabalho e em casa com seus companheiros, com sigilo de imagem e identidade.

 

Não se cale, denuncie. O Sindgraf não se furtará de combater qualquer tipo de assédio. As trabalhadoras, por sua vez, precisam se juntar mais em torno do sindicato. Apesar dos relatos de assédio e a desigualdade de salários e menores oportunidades de cargos e funções de destaque na gráfica em relação aos profissionais homens, a grande maioria das mulheres continua sem se sindicalizar e se proteger sindicalmente. As brasileiras ganham, em média, 76% da renda dos homens (IBGE). Só 5% de cargos de chefia de empresas são ocupados por mulheres (OIT).

 

“A forma de acabar com qualquer prática abusiva, começa a partir do seu posicionamento: denuncie todo assédio”, realça Lidiane. Ela lembra que o assédio moral e sexual têm consequências na saúde, dignidade, honra e na imagem das trabalhadoras. E a fim de neutralizar qualquer caso atual e futuro de violências contra as mulheres,  o Comitê Feminino do Sindgraf-PE, ao longo de novembro, apoiou-se no Dia Internacional de Luta pelo Fim da Violência contra as Mulheres para denunciar todo assédio. “Espero que nós, mulheres e homens gráficos, possamos nos orgulhar e lutar por justiça social e igualdade, bem como continuar com a força e coragem das irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas” #ChegaDeViolenciaContraAMulherNoTrabalho.

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