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Em 8 de março de 2019 - às 7:40

Cresce violência contra a mulher com onda conversadora no Brasil

Mais mortes com a ascensão do discurso machista e o governo Bolsonaro

Treze mulheres foram assassinadas todo dia no País. Os dados são do Mapa da Violência realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais em 2015. Estes números têm crescido após a onda de conservadorismo e machismo com a candidatura de Bolsonaro, agora presidente do Brasil. Uma pesquisa nova da Universidade de São de Paulo (USP) mostra que 107 mulheres já sofreram feminicídio nos 21 primeiros dias de 2019, onde 68 foram a óbito. E dados da pesquisa da DataFolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 113,3 mil mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento nos últimos 12 meses, quase metade dos casos foram ocorridos dentro da própria casa.

 

“O aumento de delegacias das mulheres e leis mais severas, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, são importantes para punir após o crime consolidado, mas, o principal deve ser a prevenção. É necessário criar mecanismos para que a violência não aconteça. Portanto, a cultura da violência e do machismo, defendida por Bolsonaro antes ainda de ser presidente do Brasil, que responde judicialmente por apologia à estupro, acaba por estimular a cultura da violência contra a mulher. Não à toa tem crescido a violência. O conservadorismo atropela inclusive o princípio da Constituição de que todos são iguais perante a lei”, realça Lidiane Araújo, coordenador do Comitê Feminino do Sindicato dos Gráficos do Estado.

 

O Comitê, criado pelo Sindicato desde a década de 1950 em defesa dos interesses das mulheres gráficas pernambucanas, alerta para os riscos da cultura conservadora (machista) no que tange o preconceito e estimula à violência de homens contra as mulheres. “É preciso voltar a combater este tipo de cultura atrasada que tem crescido significativamente desde a candidatura de Bolsonaro à Presidência, com discursos bem machistas – uma cultura, que como estamos vendo violenta e mata”, analisa Lidiane.

 

Não será a liberação do porte das armas que combaterá este mal, porém expõe mais as mulheres à essa cultura machista dentro das suas casas. “Se as mulheres já são mortas diariamente pelos seus companheiros ou ex, como as 68 apenas nos primeiros dias do ano, imagina o homem com uma arma de fogo nas mãos?”, critica o Comitê Feminino do Sindgraf-PE. Apesar disso, essa já foi uma das medidas de Bolsonaro como presidente.

 

É preciso mudar essa cultura conservadora de violência e de machismo. Para que isso aconteça, é necessário que todas as mulheres denunciem. Afinal, dos 1,6 milhões de espancamentos sofridos por elas nos últimos 12 meses, onde 42% dessas violências ocorreram dentro de suas casas, mais da metade das mulheres não denunciaram. Mas a mudança dessa cultura carece não só do ativismo da mulher, mas dos homens e dos representantes do povo através de políticas públicas contra o machismo.

 

“Não aguentamos mais tanta violência que nos agride, nos humilha e nos matam todos os dias praticada pelos os homens. Nosso desejo é que as trabalhadoras gráficas sejam mais unidas, se apoiem e se defendam um às outras. Para isso, como o assédio moral e sexual é um outro problema grave de violência, 22 milhões de caso só nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa do DataFolha, é relevante se unificarem em torno do Sindgraf, para fortalecerem inclusive a igualdade salarial e de oportunidades dentre das gráficas. Pedimos ainda aos homens gráficos que não compactuem com essa violência e nos ajudem a desconstruir essa cultura”, diz Lidiane

[+ Informe Diário]

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