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Em 2 de maio de 2018 - às 7:53

Dia da Mulher e perdas de direitos sociais e trabalhistas pós golpe

O Sindgraf aproveita o cenário radical de retrocesso a partir do golpe de Temer e parlamentares com prejuízos maiores sobre as mulheres para alertá-las sobre a necessidade de unidade da classe trabalhadora a fim de restabelecer os direitos trabalhistas e conter o atraso social vigente

Na última segunda-feira, um dia antes do feriado do Dia do Trabalhador, celebrou no Brasil o Dia Nacional da Mulher. A data existe desde 1980. É uma homenagem à enfermeira Jerônima Mesquita, líder o movimento feminista brasileiro no início do século passado. O dia foi criado para reforçar a necessidade do desenvolvimento e reeducação social sobre os direitos que as mulheres devem ter na sociedade. Aliás, direitos estes que vêm sendo reduzido significativamente desde o golpe parlamentar na 1ª mulher presidenta no Brasil (Dilma) e na democracia nacional. Um dos ataques mais recentes foi em 13 de julho de 2017, quando Temer sanciona a lei da reforma trabalhista. Ele destruiu mais de 100 direitos da CLT, dentre outros. E a mulher continua sendo a maior vítima diante das condições já desiguais no trabalho, sendo ela a primeira a perder o emprego na crise, sobretudo as pobres, negras e de baixa escolaridade.

 

“Jamais poderemos esquecer que ao longo dos anos, dos séculos, são as mulheres que enfrentam as maiores restrições nas várias sociedades predominantemente machistas e patriarcais. Portanto, o Dia Nacional da Mulher é mais que fundamental para dar evidência ao desenvolvimento das mulheres no Brasil”, diz Lidiane Araújo, diretora do Sindicato dos Gráficos de Pernambuco (Sindgraf) e coordenadora do Comitê Feminino do Sindgraf. Desse modo, faz necessário primeiro referendar toda luta de Jerônima, fundadora dos principais movimentos feministas em São Paulo e no país e que sempre tinha como objetivo promover a inserção da mulher em todas áreas da sociedade – cenário golpeado atualmente.

 

Portanto, como realça Lidiane, é mais que pertinente refletir sobre a luta de Jerônima em prol do empoderamento e organização das mulheres, do qual vivemos agora, onde desde de 2016 após a retirada de Dilma da Presidência sem nenhum crime, os retrocessos não param tanto na vida social quanto profissional. Este golpe já representou, por exemplo, o fim dos investimentos na Educação e Saúde por 20 anos, a aprovação da lei da terceirização, a aprovação da lei da reforma trabalhista e ainda tem defendido o aumento na idade para a concessão da aposentadoria.

 

“Esse desgoverno ilegítimo e sem qualquer representatividade golpeou uma mulher íntegra, como é Dilma, e a nossa democracia para, a partir daí, provocar o maior desmonte de direitos em 100 anos com prejuízos diretos sobre a vida trabalhadoras mulheres, já que as mesmas são as maiores prejudicadas pela falta de igualdade salarial e de oportunidade na nossa sociedade ainda machista, patriarcal e misógina”, diz Lidiane.

 

O prejuízo desse golpe também recai sobre as mulheres gráficas. Afinal, embora sejam 30% da categoria, ainda ganham menos do que os homens e em sua maioria se encontra no setor de acabamento gráfico com a justificativa de que são mais delicadas e cuidadosas para finalizar o produto. “Tal ponto é questionável, sobretudo pelo avanço tecnológico que reduziu a necessidade de força bruta para operar os maquinários.  Mas, ainda assim, as mulheres são excluídas das funções principais das gráficas com melhores salários”, critica Lidiane. A dirigente classifica o cenário como a manutenção da cultura machista que nega à mulher os avanços da sociedade – perfil comum no patronato, inclusive gráficos.

 

O Sindgraf aproveita o cenário radical de retrocesso a partir do golpe de Temer e parlamentares com prejuízos maiores sobre as mulheres para alertá-las sobre a necessidade de unidade da classe trabalhadora a fim de restabelecer os direitos trabalhistas e conter o atraso social vigente. “Não adianta fazer de conta que o assunto não diz respeito com você, tampouco lutar individualmente, a luta precisa ser de forma coletiva e organizada através da participação nos órgãos representantes como o sindicato. Sindicalize-se e luta. Mulheres gráficas sigam o exemplo de doação e de coletividade dado por Jerônima Mesquita e pelos milhares de trabalhadores que foram às ruas de Chicago/EUA em 1 de maio de 1886 para reivindicar melhores condições de vida no trabalho”, convoca.

 

Direitos retirados pós golpe parlamente

 

Em 12 de maio de 2016 

Inicia a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Com a decisão, ela fica afastada do mandato por até 180 dias

 

Em 12 de maio de 2016   

Temer começa o governo interino e forma sua equipe de 24 ministros sem nenhuma mulher. Inicia a reação as redes sociais e no mundo real

 

Em 31 de agosto de 2016 

O golpe é consolidado. Dilma, a 1ª mulher presidente do país, é retirada da presidência sem crime. Antes, porém, as mulheres representadas por Dilma sofreram todo dia de misoginia, inclusive na abertura da Copa em 2014, xingamentos machistas e questionamentos da sua sexualidade.

 

De 2011 a 2015

Apesar da misoginia, Dilma não vacilou. Com leis, priorizou autonomia da mulher. Combateu a cultura patriarcal e formas de violência. Criou o Programa Mulher e Viver sem Violência, oriundo da Lei Maria da Penha. Criou a Lei do Feminicídio – estupro vira crime hediondo e alterou ainda o Código Penal tipificando a morte da mulher como crime de gênero.

 

Em 13 de dezembro de 2016 

Congresso Nacional PEC 241. Congela políticas públicas em 20 anos e cortará investimentos em áreas como saúde, educação e política social. O prejuízo em todos esses setores recaem maior sobre as mulheres e seus filhos, que materialmente necessitam dessas garantias mínimas.

 

Em 31 de março de 2017  

Temer aprova lei que terceiriza todas as atividades das empresas. Ele prejudica salários e direitos da classe trabalhadora, com prejuízo maior sobre as mulheres que já enfrentam condições desiguais, pois recebem salário 80% menor e ocupam cargos de menor remuneração. Ademais, as mulheres já são majoritariamente profissionais terceirizadas.

 

Em 13 de julho de 2017 

Temer sanciona lei da reforma trabalhista. Destrói mais de 100 direitos da CLT, dentre outros. A mulher, mais uma vez é a maior vítima diante das condições já desiguais no trabalho, sendo a primeira a perder o emprego na crise, sobretudo as pobres, negras e de baixa escolaridade.

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