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Em 26 de abril de 2019 - às 8:55

Gráfica adoece devido o serviço e luta por trabalho após o problema

Saúde da trabalhadora ainda piorou após a Fasa da Unicap ter tentado demiti-la depois dela precisar se afastar do trabalho para tratar da doença. Vítima de doença ocupacional será lembrada pelo mundo neste domingo.

O mundo destacará neste domingo o problema de pessoas quer perdem parte do corpo, a própria vida ou ficam doentes. São milhões no planeta, inclusive no Brasil e em Pernambuco, mesmo sem estarem em guerra. E essa situação cresce todo dia. O problema resultado da falha da empresa referente à saúde e segurança do empregado no local de trabalho. Nas gráficas do estado, por exemplo, o Sindicato da classe (Sindgraf-PE) atua para coibir este mal ou remediá-lo. Uma trabalhadora da Fasa, gráfica da Universidade Católica de PE, foi demitida após ser considerada apta pelo médico da empresa para busca outro trabalho, período após adoecer e continuar enferma após quatro anos do manual serviço repetitivo no local.

 

A situação de injustiça contra a profissional começou a mudar depois que o Sindgraf tomou conhecimento e entrou no caso. Embora seu bem maior, que é a saúde, só foi piorando diante de questionáveis novas práticas da empresa após a sua reintegração. O sindicato conseguiu demonstrar por meio de laudos médicos que a trabalhadora estava doente e não poderia ser demitida, situação que fez a Fasa repensar este injusto desligamento.

 

De 2011 a 2014, a operadora de computação gráfica Jheynifer Stefane, que se tornou depois assistente de marketing, mas que atuava também no atendimento e acabamento gráfico da Fasa, tinha a sua saúde normal, assim como a sua relação profissional com colegas de trabalho e chefias. A coisa mudou radicalmente no ano seguinte, quando contraiu tendinite no punho esquerdo, sendo necessário diversos afastamentos do serviço para tratamento com exames, fisioterapia e medicamentos. A doença só agravou. Um ano depois, com o braço inteiro enfermo, foi demitida, não podendo ter nem mais o plano de saúde para continuar o seu tratamento.

 

Apesar do agravamento da doença, o médico do posto da Universidade, José Carlos de Moraes, classificou Jheynifer como saudável no exame demissional – situação bem diferente da qual constatou o laudo de outra profissional de saúde (uma reumatologista) onde constatou tendinopatia na mão e no punho esquerda e ainda uma bursite no ombro do mesmo braço decorrentes de movimentos repetitivos de suas atividades laborais.  O laudo foi enviado para a Fasa e também para o INSS. A reintegração ocorreu logo na sequência em atendimento à reivindicação do sindicato. A trabalhadora, que depois engravidou, desenvolveu ainda outra doença, a fibromialgia, decorrente de tensão física e psicológica.

 

Este caso, infelizmente, é só um entre milhões de adoecimentos e mortes de trabalhadores no ambiente profissional por problemas de ergonomia e outras questões relacionadas à saúde e segurança laboral. É por isso que todo dia 28 de abril, que este ano será neste domingo, é o Dia Mundial das Vítimas de Acidentes de Trabalho e Doenças Laborais. “É uma data para chamarmos atenção da sociedade para esta gravíssima chaga social contra a classe trabalhadora, bem como cobrarmos toda responsabilidade das empresas”, conta revoltado Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf.

 

Depois de perder a vida, parte do corpo ou a saúde, que são os maiores bens de uma pessoa, não tem volta. O prejuízo já está feito. E mais grave ainda é quando o trabalhador quando continua na ativa é penalizado pela empresa por conta da enfermidade causada em função do próprio serviço.

 

“Felizmente, conseguimos reverter a demissão de Jheynifer, mas desde 2017 temos acionado o Ministério do Trabalho para intervir em situações atípicas no seu ambiente profissional, já que ela foi colocada isolada das demais funcionárias e deixou de ser demandada em sua atividade laboral”, diz Iraquitan. A Fasa faltou as mediações para tratar do assunto, exceto no início do mês, quando garantiu que falará com os supervisores para ajustar as funções dela de modo a integrá-la nas tarefas pertinentes. O sindicato continua acompanhando o caso e espera que tal obrigação aconteça.

 

Apesar de todo o sofrimento em que passa, Jheynifer não perde a fé em dias melhores, sobretudo em relação a sua saúde, esta que não hesitou em cuidar desde as primeiras descobertas da enfermidade, mesmo que tenha enfrentado tantos novos problemas por parte da Fasa, ao invés de apoiá-la.

 

“Se adoecer, a culpa não é sua. Não tenha medo de avisar sua empresa e se tratar. Não se cale. Não trabalhe enfermo, pois depois vai piorar e ainda não poderá ser mais um trabalhador, a depender da evolução do problema. Antes de mais nada, procure se informar. Busque o sindicato e o apoio da família para poder enfrentar as dificuldades que surgirem. Não se isole. Não se automutile. Não peça demissão apesar da pressão. O problema só vai aumentar, pois estará desempregada, sem os direitos e a sua doença continuará e com grande dificuldade para conseguir novo trabalho”, orienta Jheynifer a todos da categoria que venham a adoecer.

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