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Em 16 de outubro de 2020 - às 8:50

JCPM cobra de políticos a defesa da renda do povo e ataca a dos seus gráficos

Ontem, enquanto os donos das micro, pequenas e demais gráficas de todo o Estado de PE garantiam o reajuste salarial acima da inflação para seus trabalhadores, mesmo com a pandemia, o dono do grande Jornal do Commercio, João Carlos Paes Mendonça fazia discurso para os políticos, através do seu sistema de comunicação, defendendo a renda do povo, enquanto que, por outro lado, fora da visibilidade da mídia, exigia, através do sindicato patronal, a redução do poder de compra dos seus trabalhadores gráficos

Nesta quinta-feira (15), em horário quase simultâneo à negociação do Sindgraf-PE em prol da renda dos gráficos com o sindicato que representa o Jornal do Commercio, maior do estado e um dos maiores do Norte/NE, o dono do jornal, João Carlos Paes Mendonça, utilizava seu forte sistema de comunicação para discursar. Ele cobrava dos políticos a serem eleitos que cuidem, com atitudes efetivas, do emprego e da renda da população. Disse ainda que ele tem investido nestas questões. Apesar do discurso justo de JCPM, o sindicato que lhe representa fazia o contrário quase na mesma hora, exigindo o congelamento do salário dos seus gráficos até o fim do ano, mesmo a data-base sendo em 1º de outubro e com o aumento 26,5% da cesta básica e uma inflação de quase 4% nos últimos 12 meses.

 

“Não acredito que a indústria gráfica, formada por 97% de empresas de micro e pequeno porte econômico tiveram condições para reajustar 4% o salário dos 4,5 mil trabalhadores em PE, e o grande empresário JCPM não tenha. Pior, não faz sentido vê-lo cobrar dos políticos que defendam o emprego e a renda da população, enquanto ele ataca a renda dos seus trabalhadores, a exemplo dos mais de 30 profissionais do seu parque gráfico”, diz Iraquitan da Silva, presidente do Sindicato dos Gráficos de Pernambuco.

 

Iraquitan advertiu os representantes do sindicato do jornal de JCPM, bem como da FolhaPE, jornais que possuem parque gráfico em Pernambuco, que é um contrassenso atacar a renda dos trabalhadores. Ainda mais que o jornal já havia inclusive economizado quase duas folhas de pagamento nestes meses de pandemia através da redução de 25% da remuneração dos gráficos, com a permissão do governo Bolsonaro, reequilibrando suas contas em cima do sofrimento do empregado. Portanto, o mínimo a fazer, se o conselho de JCPM não serve só para os políticos, o seu jornal deve garantir a renda do trabalhador, garantido ao menos as perdas salariais.

 

O sindicato dos jornais, por sua vez, representando o interesse de JCPM e do dono da FolhaPE e do Diário, quer impor mais perdas aos gráficos. Negam inclusive a recomposição salarial com base na inflação de quase 4% desde 1º de outubro. Querem congelar o salário de todos até dezembro e também no 13º salário, reajustando somente a partir de janeiro.

 

“Tal postura contraria a determinação da qual JCPM disse ter no discurso quando, no mesmo dia em que eu ouvia o ataque do sindicato dos jornais, ele aconselhava a classe política para enfrentar os problemas crônicos do capital. Espero que João Carlos Paes Mendonça, através do seu jornal, não aposte em elevar tais problemas com a desigualdade social através da sua concentração de renda às custas dos seus gráficos”, diz Iraquitan.

 

Consultados pelo sindicato, os trabalhadores também reprovaram essa atitude patronal e cobra a coerência de JCPM com o que ele mesmo fala. A campanha salarial dos gráficos continua em aberta. Defendem não só a vida e o emprego, mas também a renda – o tripé da luta do Sindgraf-PE neste ano de pandemia. O sindicato garante a luta. O gráfico garante o sindicato. Somente juntos, podemos ser mais fortes! SINDICALIZE-SE!

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