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Em 25 de setembro de 2019 - às 9:18

Jornais querem gráfico trabalhando no domingo sem receber hora-extra

Dizem que praga não prega. Mas as ideias ruins do presidente Bolsonaro, como a que tentou implantar no Brasil a liberação do trabalho no domingo como dia normal, ou seja, sem o funcionário receber dobrado pelo esforço no fim de semana, parece que pegou em todos os donos dos jornais de Pernambuco. O sindicato dos empresários exigiu isso ontem durante a 1ª rodada de negociação da campanha salarial dos gráficos deste ano. A data-base da classe já é na próxima terça-feira (1º). Mas o Diário, Folha e JC só querem garantir a recuperação das perdas salariais dos gráficos se houver o fim do direito dos gráficos de receberem 100% de hora-extra no serviço aos domingos. O Sindicato dos Trabalhadores (Sindgraf), por sua vez, quer saber dos gráficos se acham justo o esforço que fazem aos domingos e sem receberem nada.

 

“Para os jornais não basta o sacrifício dos profissionais de deixarem a sua família no dia de domingo para trabalharem de domingo a domingo, eles querem agora que tal esforço não seja nem recompensado minimamente em dinheiro. O patronal quer acabar com uma parte da LEI DO GRÁFICO, mas especificamente onde obriga os jornais a pagarem dobrado a todos os empregados que laborarem nos domingos – dia este reservado para o convívio familiar, o futebol entre amigos, dia de ir a missa ou ao culto”, diz Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf, presente na 1ª rodada negocial.

 

A proposta é tão absurda, fala o sindicalista, que nem mesmo o Senado, que a grande maioria é formada por aliados de Bolsonaro, aceitou isso. Os senadores rejeitam a medida provisória do governo onde iria liberar o trabalho ao domingo como sendo dia normal. “E olhem que o Senado não é bonzinho. La é onde está sendo votada a reforma da Previdência para a destruição da aposentadoria especial dos gráficos e demais categorias”, diz Iraquitan. Apesar disso, os donos dos jornais de PE querem o trabalho no domingo como se fosse dia normal. “A luta faz a lei”, lembra Iraquitan.

 

Enquanto os jornais atacam a LEI DO GRÁFICO para quase escraviza-lo no trabalho ao domingo sem receberem financeiramente a contento, os representantes da Companhia Editorial de PE (Cepe) já confirmaram que a LEI DO GRÁFICO será plenamente respeitada. Aliás, não somente esta lei superior à CLT, mais umas condições maiores através de acordo onde garante, por exemplo, plano de saúde, vale-refeição, vale-compra, 14º salário, bolsa financeira de estudo para os filhos e benefícios qualificados. A reunião entre a Cepe e o Sindgraf-PE foi na última segunda-feira (23). Uma nova rodada deve ocorrer em breve para definir o reajuste salarial.

 

O Sindgraf-PE aguarda ainda a definição da Indústria Renda para tratar do reajuste salarial e também da renovação de um acordo superior a LEI DO GRÁFICO onde garante, por exemplo, plano de saúde e partilha dos lucros da empresa. O sindicato dos donos das indústrias gráficas também já comunicou a Iraquitan que marcará a data da 1ª rodada de negociação na próxima semana. Este sindicato representa o conjunto das empresas onde os 6,5 mil gráficos pernambucanos trabalham. “Mais luta igual a mais direitos; menos luta igual a nenhum direito”, lembra Iraquitan o lema da campanha salarial dos gráficos de 2019. Isso serve para as gráficas e para os jornais.

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