(81) 3222.5390 - 3221.3099
Em 24 de julho de 2020 - às 8:32

Live da CUT com trabalhadoras aborda hoje a luta atual da mulher negra

O Comitê Feminino do Sindgraf-PE, que completa amanhã sete anos de reativação, coordenado pela sindicalista gráfica Lidiane Araújo, participa hoje, às 16h, com sindicalistas de outras categorias da live da Comissão de Combate ao Racismo da CUT, com o tema 25 de julho: ESTAMOS VIVAS! Luta e resistência da mulher negra, em celebração ao Dia Mundial da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, que será comemorado neste sábado. Para participarem, basta acessar www.facebook.com/CUTPernambuco

Nesta sexta-feira (24), faltando um dia para o Comitê Feminino da classe gráfica pernambucana completar sete anos de reativação com o objetivo de organizar mulheres do setor dentro do sindicato para juntas buscarem a superação dos desafios colocados dentro e fora do mundo do trabalho, será realizado um encontro digital promovido pela Comissão de Combate ao Racismo da CUT. O debate será a luta e resistência da mulher negra, muitas delas trabalhadoras e mães solos, como as profissionais gráficas. Lidiane da Araújo, diretora do Sindgraf-PE e coordenadora do Comitê, será uma das palestrantes desta live de hoje no Facebook da CUT-PE, às 16h, com o tema Estamos Vivas! A live visa marcar o Dia Mundial da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado também amanhã.

 

O Sindgraf-PE convida toda a categoria, independente do gênero para o debate. “Destaco a importância da participação das mulheres gráficas, as quais enfrentam maiores desigualdades socioeconômicas dentro e fora do trabalho diante das questões estruturais do racismo, do machismo e do neoliberalismo (política que privilegia ricos em detrimento dos pobres). Não à toa que continua faltando creche a nossos filhos, motivo que levou a morte de Miguel, filho da guerreira Mirtes; falta transporte de qualidade; sobram assédios e violências contra as mulheres, a desigualdade salarial se mantém e muito mais. Portanto, a live de amanhã atinge em cheio as mulheres trabalhadoras”, convida Lidiane, que palestrará junto a outras mulheres negras e dirigentes sindicais de outras categorias profissionais.

 

Em suma, o debate será sobre as iguais oportunidades a todos, sobretudo para a mulher negra. A live terá a participação de Vera Baroni – advogada Sanitarista, Cândida Fernandes – bancária, Eleonora – bancária, Tatiana Ferreira – enfermeira, Luíza Batista – presidenta da Fenatrad, Tatiane Carneiro – diretora de Políticas Sociais do Sinproja, Karina Betania – agente de Saúde, Elizangela Valéria – Metalúrgica, Katiane da Silva – delegada municipal do Sintepe e a dirigente do Sindgraf-PE (Lidiane)

 

“Para mim, Mirtes Souza (mãe de Miguel) é atualmente o maior símbolo da realidade da mulher negra e trabalhadora brasileira: periférica; mãe solo; trabalhou na pandemia; pegou covid com os patrões; trabalhou doente; precisa levar o filho para o trabalho; sua mãe trabalha na mesma casa. Essa realidade de Mirtes é também de milhares de mulheres negras no Brasil”, realça Lidiane ao lembrar das mães que não têm onde deixar o filho por falta de creches; de ter de trabalhar além do contrato para não perder o emprego, sem pagamento de horas extras; que tem parentes na empresa, ficando “presas” sem poderem reivindicar depois seus direitos; que tem de laborar doente para não dar motivos de ser demitida; que sofre no transporte público lotado para a ida e vinda ao trabalho e muito mais.

 

Logo, o debate de amanhã é muito necessário para todas trabalhadoras, a exemplo das gráficas, refletirem e olharem a realidade por outro ângulo. “Não podemos achar essa desigualdade social normal nem pensarmos que Mirtes e nós não nos esforçamos para que a vida seja menos difícil. Não basta pensar de forma diferente, mas é preciso criar ações concretas para combater o racismo, machismo e neoliberalismo de modo que possa ir reduzindo desigualdades, o trabalho precário, a falta de oportunidades e de direitos. Mas isso só será possível a partir da nossa reflexão e ação juntas”, diz Lidiane destacando inclusive a relevância do Comitê Feminino das Trabalhadores gráficas para a busca da maior proteção no trabalho.

 

Em sete anos de reativação do Comitê, ainda são muitos os desafios para a organização. Dentre eles, a conscientização política das trabalhadoras enquanto classe trabalhadora, pobre, mulher e maior parte delas negras. “São tantos os motivos, até justificáveis, a exemplo do cuidado com a casa, filho, marido, estudo e etc., mas só é possível construirmos forças para lutar e mudar parte das desigualdades, violências e preconceitos de gênero, de raça e contra a classe trabalhadora com mais consciência de que tudo isso passar pela unificação e organização coletiva”, diz Lidiane.

 

Ela acredita que se o comitê, que foi fundado desde 1953, em um tempo onde o machismo era muito maior, contasse com uma maior participação das trabalhadoras atuais, já poderia existir mais cláusulas na convenção de direitos da categoria para uma maior proteção ao trabalho da mulher, a exemplo de um tempo maior de licença maternidade e amamentação e etc. Porém, essas e outras conquistas só chegam através da organização.

[+ Informe Diário]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Responda: *