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Em 20 de maio de 2019 - às 8:34

Mais gráficos perderão emprego com a reforma da Previdência

“É mito que a reforma gerará crescimento. Elevará crise e desemprego”, alerta manifesto nacional dos economistas, elaborado na última semana

Não é novidade para ninguém que o desemprego cresceu após Temer se tornar presidente do Brasil. E parece que a coisa só piora com Bolsonaro. Todo mundo tem algum conhecido e/ou da família sem emprego. O IBGE mostra que cresceu mesmo. A taxa média de desemprego ampliou 12,7% no 1º trimestre deste ano em comparação ao mesmo período anterior. A crise do emprego está ligada à queda da produção por conta da baixa no consumo da população porque ela está sem renda pela falta de trabalho. Sem consumo, reduz-se ainda a impressão da publicidade de produtos para venda, a produção de embalagens impressas, e afeta o setor gráfico.

 

“Apesar disso, o governo se empenha em elevar mais o desemprego com a reforma da Previdência onde propõe rebaixar o valor da aposentadoria e pensão e o número de trabalhadores que poderiam ter estes direitos”, aponta Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf-PE, com base no texto publicado pelo manifesto nacional dos economistas na última semana. Ao contrário da promessa da retomada da economia feita pelo governo se for aprovada esta reforma que limita a aposentadoria da maioria da classe trabalhadora, parcela a ser mais atingida pela proposta, os economistas garantem que tal medida de Bolsonaro fará justamente o efeito contrário.

 

“É mito que a reforma gerará crescimento. Elevará a crise e desemprego”, alerta o manifesto. E isso acontecerá, explica os economistas, porque os empresários não investem devido os cortes de direitos do trabalhador por parte do governo, mas só investem na sua indústria (com maior produção e emprego) quando há demanda no mercado, quando há mais consumo por parte da população, coisa que não ocorrerá com a falta renda. “Como então que reduzir o valor da aposentadoria e pensão e limitar este direito para mais trabalhadores, que é a base da reforma da previdência, gerará crescimento econômico? Vai é sim na direção contrária!”, alerta Iraquitan.

 

Apesar de agravar ainda mais a crise econômica e mais desempregados com esta reforma da Previdência, Bolsonaro e seu ministro da Economia Paulo Guedes dizem, com outras palavras, que a reforma que melhorará tudo se o trabalhador aceitar fazer o sacrifício. Pior, que ainda tem gente que acredita mesmo nisso sem saber que a ação ainda tirará do patrão a obrigação de pagar uma parte do INSS do trabalhador para se aposentar. É isso que está oculto na então proposta de capitalização da Previdência. Não é a toa que os empresários apoiam tanto esta reforma previdenciária.

 

“Ademais, a capitalização ameaça o pagamento dos atuais aposentados e pensionistas, já que troca o regime solidário de repartição previdenciário (o trabalhador da ativa garante com parte do seu salário o pagamento dos da inativa) pelo sistema onde o empregado da ativa é que faz a poupança para se aposentar e receber enquanto tiver dinheiro na poupança que fez, podendo acabar mesmo depois de idoso e sem condições de trabalhar. Já pelo regime de repartição, o pagamento é feito até o fim da vida”, diz.

 

O manifesto dos economistas, que criticam a mídia por não mostrar esta questão, classifica a capitalização e toda a reforma da Previdência como “um cheque em branco com altíssimo risco social e fiscal para sociedade brasileira”. O documento questiona a única versão majoritária colocada pela mídia para a população, a de que o Brasil melhorará com a reforma.

 

O documento, assim como o Sindgraf, cobra da mídia a postura imparcial, devendo mostrar inclusive que a reforma é “racista” porque vai prejudicar principalmente os trabalhadores negros, estes que já penam com mais desemprego e a informalidade, segundo provam dados oficiais do governo. A mídia, por exemplo, também precisa mostrar que as mulheres serão as mais penalizadas com as mudanças das regras da Previdência, pois eleva a idade delas para poderem se aposentar sem considerar que sofrem com alta rotatividade no emprego e os períodos sem contribuição ao INSS

 

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