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Em 12 de junho de 2017 - às 9:27

Mulheres avançam no comando da Conatig, porém ainda é pouco

Embora cresce a participação e representatividade econômica e política da mulher no mercado de trabalho e nas diversas áreas da sociedade, inclusive no setor gráfico brasileiro, onde as trabalhadoras representam 30% da mão de obra neste segmento industrial, tais profissionais, como avalia o Comitê Feminino do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Estado de Pernambuco (Sindgraf-PE), ainda enfrentam dificuldades dos mais variados tipos devido ao machismo arraigado culturalmente numa categoria predominante de homens. Dentre elas, sofrem os assédios moral e sexual, bem como ocupam predominantemente os postos de finalização do produto gráfico, onde é necessário o esforço repetitivo, ficando mais suscetíveis às doença ocupacionais, como LER/Dort. Ainda são  as mais discriminadas para ocupar cargos de poder nas entidades sindicais, necessitando de maior empoderamento para conquistá-los. E foi isto o que, felizmente, acabou de ocorrer na última semana no setor. Os 200 mil gráficos no Brasil têm agora, pela 1ª vez na história da maior entidade da classe no país (Conatig), uma mulher na vice-presidência.

 

“Na história secular do setor gráfico do país e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da categoria, a gráfica paulistana Elisângela Oliveira, que disputará este mês a eleição para a Presidência do maior sindicato da classe no Brasil (Sindicato da cidade de São Paulo), foi empossada vice-presidente da Conatig”, exalta Lidiane Araújo, coordenadora do Comitê Feminino do Sindgraf Pernambuco, que também foi empossada na direção da Confederação, juntamente com outras profissionais que integrarão a coordenadoria das mulheres da referida entidade nacional.

 

Lidiane não esconde a alegria de ver uma mulher ocupar um cargo de grande valia política na Conatig. Ela avalia que Elisângela representará as  mulheres gráficas nesta luta pela desconstrução da cultura machista. “Além da questão de representatividade, este fato histórico corresponde ao empoderamento das mulheres da categoria, ou seja, é uma ação de atribuir domínio ou poder sobre uma determinada situação, condição ou característica feminina das gráficas do país”, diz acreditando que as 80 mil trabalhadoras da categoria serão bem representadas por Elisângela – mulher que possui uma vasta experiência neste quesito, porque ela já assumiu o cargo máximo da UNI Mulheres Brasil e é secretária geral do Sindicato dos Gráficos/SP, órgão que reponde por 50 mil trabalhadores, sendo o maior sindicato da América latina em quantidade de gráficos.

 

“Me sinto representada com a 1ª mulher ocupando a vice-presidência da Conatig, mas acredito que a quantidade de mulheres na direção ainda é tímida se levarmos em conta que somos 30% do setor gráfico no país, sendo necessário, no mínimo, 30% de mulheres nos cargos de comando da entidade”, reflete Lidiane, questionando que ainda não é adequado ter somente uma mulher dentre os 13 postos de maior prestígio político do órgão. Contudo, a dirigente dos gráficos pernambucanos e também da coordenadoria de mulheres da categoria nacionalmente, avalia que o emporamento continuo das trabalhadoras, vindo das fábricas até chegar nos postos de liderança no mercado profissional e nos órgãos sindicais, hão de continuar evoluindo até conquistar a justa isonomia e seu mérito, afinal, a mulher continua com sua dupla ou tripla jornadas de trabalho, ‘matando um leão’ por dia para manter seu posto de trabalho e garantir a renda total ou parcial de suas famílias, cuidando da casa e seus filhos.

 

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