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Em 9 de março de 2018 - às 9:04

Mulheres gráficas aposentadas são homenageadas pelo Sindgraf-PE

"Após a grande greve da classe, com máquinas paradas, que durou 15 dias, e que resultou em benefícios para as trabalhadoras(es), passamos a ser mais valorizadas e menos exploradas pelas empresas", realçou a gráfica Helena, aposentada há seis anos depois de 33 anos na ativa

Nesta quinta-feira (8), data que celebrou o Dia Internacional da Mulher, quatro trabalhadoras gráficas aposentadas foram homenageadas pelo Sindicato da classe (Sindgraf). A maioria delas passou quase 30 anos como associadas por entenderem que a unidade da categoria era e é a única forma de proteger seus direitos e ainda se autoproteger também como mulher trabalhadora. Afinal, as mulheres continuam enfrentando desafios diferentes do homem no setor, como o preconceito e assédios. As homenageadas foram Gessy, Fátima, Helena e Mabel. Cada uma recebeu a placa Mulheres Gráficas Guerreiras na Luta por Igualdade e Justiça Social. Um pouco da vida de Helena será o assunto de hoje da 3ª matéria especial do Sindgraf sobre estas lutadoras. Na segunda-feira, encerramos esta série contado um pouco da vida de Mabel; e na quarta-feira, faremos uma matéria resumindo o que ocorreu na homenagem.

 

Outras gráficas homenageadas

– Gessy Moreira Feitosa – 67 anos e mãe de cinco filhos – Confira AQUI

– Maria de Fátima Wenceslau de Barros – mãe de três filhos – AQUI

 

“Ser gráfica é uma arte.  É muito gratificante idealizar um produto e ver ele ser finalizado em suas mãos. Me dediquei uma vida toda nesta arte. Esta é a minha profissional por 33 anos, até aposentar-me em 2012”, diz Helena Alice Barbosa, 65 anos. O seu primeiro emprego formal foi no segmento, na Recife Gráfica, saindo apenas para entrar na Gráfica Raiz.

Helena aproveitou a homenagem para dar um conselho às mulheres que continuam no setor e pretendem se aposentar no seguimento como ela: digo para se aperfeiçoem e que procurem aprender mais atividades, não fiquem restritas apenas em um tipo de serviço. Helena atuou a vida toda no setor de Acabamento das duas gráficas durante a sua carreira.

 

Helena também não escondeu a sua revolta com o governo Temer e o que ele vem fazendo contra a classe trabalhadora, retirando direitos e que pode até limitar e excluir a concessão da aposentadoria para muitas mulheres gráficas que continuam em atividade. A reforma previdenciária tem esse potencial porque aumenta a idade e o tempo de contribuição da trabalhadora ao INSS para poder se aposentar, bem como dificultou vários direitos e o emprego, reduzindo a chance de suportar tal trabalho por tanto tempo, através da nova lei da reforma trabalhista no Brasil.

 

“Temer foi o pior presidente que já teve. Voltando ao passado de fome e miséria numa velocidade assustadora. Voltamos a ser explorados no nosso trabalho. Ele tem feito tudo para os ricos e deixado o trabalhador ainda mais pobres”, desabafa Helena. Por isso, a homenageada sente saudade de Lula na Presidência e espera que não tirem ele da eleição, pois considera os governos de Lula os melhores para os pobres que ela tem lembrança nos seus 65 anos, revelando que votará nele outra vez. Aconselha que os trabalhadores votem em políticos contrários a Temer para inverter essa maré de ataque aos pobres e a classe trabalhadora.

 

Contudo, independente da eleição de outubro, Helena fala às mulheres gráficas que elas não devem ficar esperando a garantia de seus direitos e o respeito sem que se unam entre si e em torno da sua representação da classe (Sindgraf-PE). “Sempre tive um perfil reservado e consciente do meu direito para me proteger, não dando espaço para os assédios e outras questões negativas que ocorrem em gráficas. De forma coletiva, entendi que só unidas e organizadas dentro do Sindicato, nós podemos nos proteger enquanto categoria, preservando nossos direitos”, disse Helena, que já participou até de greves. Ela lembra de uma que a classe parou por 15 dias. “A relação dos patrões com empregadores mudou a partir dessa greve, passamos a ser mais valorizados e não explorados”, recorda a homenageada como a história mais marcante de sua carreira.

 

A consciência de classe trabalhadora levou Helena até a ser convidada e assumir a direção do Sindgraf por três mandatos seguidos. Sindicato é lugar de mulher sim. Sem ele, as trabalhadoras ficam mais fragilizadas enquanto profissional e no campo pessoal, porque fragilizam a proteção dos seus direitos, salários e condições de trabalho com reflexo em casa.

 

“Não precisa que todas sejam sindicalistas, mas para se autoprotegerem precisam se sindicalizar e fortalecer os homens e mulheres da classe”, falou Helena. Diferente do passado, quando ela iniciou o trabalho  (em 1979) e que toda categoria era obrigada a se filiar automaticamente quando se iniciava o emprego, faz anos que a sindicalização tornou-se algo opcional, por opção de Iraquitan e outros sindicalistas já desde a década de 1990. Esta iniciativa deu aos trabalhadores(as) a liberdade para escolher se fortalecerá o sindicato e seus direitos ou não. Helena aconselha todas mulheres gráficas que a única opção de se protegerem mesmo é sempre buscando a unidade entre si no local de trabalho e em torno do sindicato, entidade que reúne a força de todas(os) da categoria.

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