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Em 5 de março de 2018 - às 7:40

Mulheres gráficas guerreiras na luta por igualdade e justiça social

Algumas entre dezenas de trabalhadoras aposentadas foram escolhidas para serem homenageadas nesta quinta no Sindgraf, às 17h. São elas: Gessy, Mª de Fátima, Helena, Graciete, Gilvanete e outras. O Sindicato convida todas gráficas da ativa para prestigiarem essas guerreiras reais. Conheça na matéria especial de hoje um pouco da vida de Gessy Moreira Feitosa – gráfica com 67 anos e mãe de cinco filhos

A partir de hoje, semana que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o Sindicato dos Gráficos do Estado (Sindgraf-PE) lança série de matérias sobre trabalhadoras da categoria que conseguiram se aposentar, como uma forma de demonstrar desafios enfrentados pelas mulheres do setor. Cenário este que, a partir de Temer e seus políticos aliados, defensores da nova lei do trabalho e da reforma previdenciária, tem aumentado as dificuldades para 2 mil profissionais gráficas que continuam na ativa nas empresas em Pernambuco. E os desafios têm sido maiores diante das injustiças dessa nova lei que confere aos patrões o poder de oferecer   empregos e direitos bem precários, prejudicando a vida e a saúde das empregadas. Situação que ainda limita a chance delas se aposentarem.

 

Com isso, até o direito à aposentadoria fica reduzido. E, com a eventual reforma da Previdência, praticamente acabará, sobretudo para gráficas  mais jovens e/ou aquelas com menor tempo de contribuição ao INSS, que é a maioria das 2 mil funcionárias com carteira assinada, sem falar em um número significativo das trabalhadoras que estão sem registro.  É ou não um cenário com mais desafios do que aqueles já enfrentados pelas trabalhadoras aposentadas? Mulheres estas que combateram, com unidade, organização e luta, juntas ao seu Sindicato, uma grande parte do preconceito e injustiças por serem mulheres dentro de um ramo laboral só de homens até pouco tempo, além de enfrentarem assédios.

 

Por esta justa razão, algumas de dezenas de gráficas aposentadas, com o diferencial de ao longo da vida profissional terem optado pela unidade entre si e organizadas com o sindicato para enfrentarem os desmandos patronais, políticos e até o machismo, estão sendo homenageadas pelo Sindgraf. “Torcemos que a visualização de parte de suas histórias de vidas sirvam de exemplo para as atuais profissionais no sentido delas também resistirem juntas em prol da igualdade e justiça social através da garantia dos seus direitos trabalhistas e previdenciários”, diz Lidiane Araújo, diretora sindical e coordenadora do Comitê Feminino da classe. E o 1º passo nesta direção, diz ela, é associando-se ao Sindgraf, como fizeram as gráficas já aposentadas, garantindo direitos. Sindicalize-se!

 

Neste sentido, numa justa homenagem às mulheres gráficas guerreiras na luta por igualdade e justiça social, o Sindgraf-PE convida a todas as profissionais da ativa ou não para homenagearem alguns das gráficas já aposentadas: Gessy, Mª de Fátima, Helena, Graciete e Gilvanete e etc. O evento será realizado no Sindicato nesta quinta-feira (8), às 17h, no Dia Internacional das Mulheres. Uma das homenageadas, a exemplo de Gessy, passou por nove empresas ao longo de todo vida profissional, enfrentando todas dificuldades de ser mulher no tradicional setor gráfico, ainda na década de 1970, além de criar sozinha seus cinco filhos. Gessy é a 1ª dessas várias trabalhadoras gráficas aposentadas homenageadas a serem retratadas na série de matérias especiais do Sindgraf. Confira!

 

Gessy Moreira Feitosa – gráfica com 67 anos e mãe de cinco filhos

“Eu não entendo de política, mas sei que Temer está acabando com os nossos direitos. Ele quer que até a mulher se aposente com mais idade. Esse senhor não sabe das nossas vidas, o quanto trabalhamos em casa e na rua. É um massacre”, disse Gessy à Lidiane quando foi perguntada sobre o que acha de Temer e da reforma previdenciária. Gessy tem 67 anos e criou sozinha os cinco filhos com salário de profissional gráfica.

 

Começou a trabalhar em 1976 e aposentou-se em 2001. Apesar de toda a dificuldade enfrentada por ela, a classe trabalhadora conseguiu resistir a modificações nas leis trabalhistas e previdenciárias, garantido para ela o emprego formal em nove gráficas, tudo registrado e contribuindo para o INSS, de modo que conseguiu se aposentar com 25 anos de trabalho.

 

“Sustentei meus cinco filhos com meu trabalho. Tudo que tenho na vida foi graças a minha profissão como gráfica”, fala diz Gessy quando faz uma retrospectiva da sua vida pessoal e profissional. Ela costuma dizer que não escolheu ser gráfica, mas a profissão que a escolheu, mesmo não tendo estudo, sendo preciso ir buscando conhecimento para ficar no  ramo, que ela considera uma arte, agarrando-se firme na oportunidade.

 

Contudo, Gessy não escapou do preconceito no setor, visto ainda hoje. Toda a sua carreira foi no setor de Acabamento Gráfico, onde hoje cerca de 90% dele é composto por mulheres, sendo elas excluídas da nobre área de Impressão. Gessy não foi para este setor, mesmo com um curso feito sobre impressão. Ela relembra que foi escolhido um homem para essa vaga. Ao longo dos 25 anos de trabalho, ela passou pelas gráficas Ramiro Costa, Viana Leal, Bompreço, Salomão, Ipel, Eletrográfica,   Jeriquiti e Composer, alguns dessas já encerraram as suas atividades.

 

Neste período, Gessy lembra de multas desafios que enfrentou por ser profissional gráfica e por ser mulher dentro desse ramo, e ainda frente à forte cultura machista, presente nos dias atuais. Ela realça até um caso absurdo de ter sido vítima de violência física por parte de um colega de trabalho por ter se recusado a lavar o prato dele após a hora do almoço no serviço. “E quando o dono da empresa soube, ele me pediu para eu pedir demissão, fato este que não aceitei e fui procurar os meus direitos no sindicato”, conta. Ela recorda outros casos, sendo também apoiada pelo Sindgraf, resolvendo a situação, a exemplo do ocorrido em outra empresa que não queria pagar por seus serviços, e outra que a obrigava a fazer a limpeza da empresa, até os banheiros, ao invés do seu ofício.

 

Embora seja um setor profissional formado tradicionalmente por homem, e ainda é majoritariamente masculino, com mais de 65%, o Sindicato da categoria (Sindgraf) sempre defendeu ideários da igualdade, liberdade e fraternidade. “Tanto que desde a década de 1950, por exemplo, o órgão já tinha formado o seu Comitê Feminino, coletivo este que continua a ser prioridade desde sindicato em prol da pauta dos interesses do segmento das mulheres desta categoria”, frisa acentuadamente Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf, que atua na entidade desde a década de 1990.

 

Consciente dessa questão e ainda da necessária busca do cumprimento dos seus direitos, gostem ou não os donos de empresas, Gessy foi e é uma dessas mulheres gráficas guerreiras na luta por igualdade e justiça social. Por isso, sempre optou por se proteger junto à sua representação de classe (Sindgraf-PE). Ela foi sindicalizada enquanto estava na ativa. Com isso, fortaleceu a entidade para sua proteção e de todas mulheres e homens de toda categoria. Apesar das tristes lembranças, ela prefere guardar as boas recordações e as interações entre as trabalhadoras(es),  independente da empresas, amplificadas através das ações sindicais.

 

“Todos se conheciam”, lembra Gessy com saudades. Ela revela que, por tudo isso, continua presente nas atividades do Sindicato, em especial as promovidas pelo Departamento dos Aposentados, onde aproveita para rever as velhas amizades. Aproveita para agradecer a homenagem que está recebendo do Sindgraf-PE, bem como deixa uma mensagem para todas trabalhadoras que ainda estão na ativa: nunca abaixem a cabeça para as dificuldades; nunca deixem que gritem ou que te humilhe dentro do setor profissional e da vida, e, se acontecer, busquem seus direitos.

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