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Fala Presidente

Das trevas à luz: o renascimento da luta política de classe por justiça

 

 

*Por Iraquitan da Silva

 

Os 6 mil gráficos pernambucanos, assim como os 200 mil profissionais da categoria em todo o Brasil, bem como os milhões de trabalhadores e milhões de desempregados de brasileiros terão um Natal e a Virada de Ano bastante diferente dos vividas nos últimos anos. A mudança será grande. Mas, infelizmente, uma diferença muito ruim para a maioria em função do maior dos ataques dos setores conversadores da política e da economia do país contra a classe trabalhadora nos últimos 100 anos.

 

O ano de 2017 foi marcado por aprovação de leis contra os direitos dos trabalhadores e do povo em geral. Um período de trevas para os pobres em função da ação de um governo e Congresso temerosos e golpistas, aprovando leis injustas em favor só dos muitos ricos do país e de fora. Tem sido retrocessos e mais retrocessos em todos os campos sociais. O consumo caiu porque não dinheiro no bolso do povo. O desemprego continua alto. O salário mínimo pouco subiu. E destruíram até o conjunto de direitos dos que laboram. E agora querem destruir a aposentadoria. Não é a toa que a fome voltou e todas desigualdades sociais cresceram.

 

Mas das trevas pode nascer a luz. Há mais de dois mil anos Jesus veio ao mundo para denunciar injustiças dos políticos e religiosos da época. Cristo veio ao mundo como pobre e um operário em favor dos excluídos. Que o Natal (nascimento de Jesus) traga tal luz em prol do trabalhador e contra os políticos-patrões e político-religiosos/falsos que decidiram dar um golpe na democracia para retiram direitos – Políticos do Congresso Nacional escolhidos pelo voto da maioria dos trabalhadores brasileiros.

 

Mas das trevas de 2017, ano que completou 100 anos da primeira greve geral da classe trabalhadora brasileira que oportunizou a conquista dos direitos trabalhistas que hoje estão sendo destruídos por esses políticos, pode-se tirar lições de unidade, organização e representação política em direção de luzes de um novo tempo: a busca da justiça social outra vez.

 

A primeira lição para a classe trabalhadora transformar trevas em luz é conhecer a história e o que ela nos ensina. A greve geral de 1917, que teve os gráficos e tecelões na vanguarda do movimento operário, reuniu as condições para conquistas de direitos no decorrer dos anos, fazendo pressões contra governos e o patronato. Dai reconheceram sindicatos e direitos trabalhistas coletivos, inclusive houve a criação da Consolidação das Lei do Trabalho (CLT) – destruída agora por Temer e congressistas (deputados e senadores) ligados aos setores empresariais e das igrejas. Ou seja, os atuais direitos foram retirados depois de conquistados pelas lutas do passado, iniciada há 100 anos pela organização dos operários.

 

Contudo, das trevas pode-se ter a luz outra vez, mas somente quando se percebe que foi da luta que se fez a lei – hoje destruída pela reforma trabalhista e por outras mazelas aprovadas por esses políticos antipovo. Uma demonstração atual de que a luta faz a lei pode ser verificada nos gráficos pernambucanos. A classe decidiu se manter organizada e lutar contra a aplicação de parte desta reforma na campanha salarial 2017. E reduziram assim o potencial maléfico, de trevas, contra os seus direitos. Porém, diante da vastidão da classe trabalhadora do Brasil, esse é um pequeno gesto, embora significativo porque mostra o caminho a seguir: Só a unidade e luta do trabalhador pode trazer de volta ou fazer toda lei.

 

A história da luta da classe trabalhadora pode trazer mais ensinamentos capazes de dar esperança. Porém, é preciso ter o protagonismo contra as trevas e em favor da luz da justiça social outra vez. Depois da greve dos gráficos em 1923, a classe foi a primeira categoria brasileira a ter o sindicato reconhecido pelo governo e pelo patronato, naquela época era proibido, não havia lei. Ainda garantiram a 1ª convenção coletiva de trabalho por categoria no país (conjunto de direitos superiores à CLT) – hoje também destruída pela reforma trabalhista dos golpistas temerosos.

 

A segunda lição, portanto, vem do ensinamento deixado pelo líder dessa greve dos gráficos, João da Costa Pimenta. Ele dizia que os direitos só serão efetivamente construídos e mantidos para e pelos trabalhadores, quando os operários integrassem as instituições democráticas do país. Em resumo, a classe trabalhadora também precisa fazer leis e defendê-las, assim como fazem os patrões em seus benefícios. E isso só ocorre na política, escolhendo os legítimos representantes dos trabalhadores.

 

Vendo tudo o que ocorre hoje, no é que o líder dos gráficos estava certo. O trabalhador teve até 2017 a garantia dos seus direitos, originários de toda a luta operária de 100 anos, mas os perdeu agora por ter escolhido políticos do setor patronal para lhe representar no Congresso Nacional – local onde aprovaram a reforma trabalhista e outras medidas de trevas. Ou seja, não adianta lutar muito para conquistar direitos e depois relaxar em relação aos políticos que elegem, porque vão atuar para extingui-los.

 

Portanto, com a chegada de 2018, um ano eleitoral, abre-se uma grande oportunidade de transformar as trevas de 2017 em luz. Mas somente se houver o renascimento da consciência de classe enquanto trabalhador e da luta política desta classe por direitos e justiça social de volta ao país. A esperança pode voltar ao país e o brasileiro voltar a ter dignidade e ter orgulho do Brasil. E o ano de 2018 vem com esta grande oportunidade. Lembre-se, o voto do trabalhador continua tendo o mesmo valor do voto do patrão; o voto do pobre é igual ao do rico. A diferença é que existem mais pobres e trabalhadores do que ricos e patrões. E essa quantidade significativa precisa também ser representada no Congresso Nacional, que hoje têm mais patrões do que os operários, eis o porque das trevas.

 

Contudo, para as trevas se transformarem em luz, a classe trabalhadora precisa se reorganizar e se reinventar na organização e na mobilização, com base nas experiências do passado e nos desafios contemporâneos, onde se observa o avanço das forças políticas conversadores no Brasil e no mundo, com suas leis cada vez mais contra os pobres e operários. A luta de classe numa esteve tão atual e largamente visível por tais leis. O pobre cada vez está ficando mais miserável. Ou seja, existe uma luta e os poderosos estão vencendo. O trabalhador precisa notar isso logo e entrar nesta briga. A eleição de 2018, portanto, será o palco desta luta.

 

Dessa forma,  a responsabilidade do movimento sindical na organização da classe trabalhadora só se amplia em 2018, a começar na luta contra a aplicação da reforma trabalhista nas empresas. É preciso defender os direitos dos empregados. A luta focará também contra a aprovação da reforma da Previdência. O sindicalista preciso se reaproximar da base. O trabalhador precisa voltar a ter confiança e até disputar a direção dos sindicatos, se for necessário, para defenda efetivamente toda categoria. O trabalhador precisa fortalecer o sindicato para luta, sindicalizando-se.

 

E, neste processo e organização da classe, é fundamental ir orientando sobre as eleições de 2018 – o voto precisa ter a consciência de classe. Ou seja, trabalhador vota em trabalhador para ter lei para o trabalhador. Dessa forma, o movimento sindical tem uma missão ampla: organizar a luta para evitar a perda de direitos e, noutra frente, mudar a correlação de força no Congresso, a fim de ter menos patrões na nova legislatura para que se reverta tantos retrocessos contra o pobre e o trabalhador.

 

FELIZ NATAL E QUE 2018 seja um ano de retomada do crescimento econômico e empregos, mas que volte a ter distribuição de renda com a garantia do direito social do brasileiro, a começar pelo restabelecimento dos direitos trabalhistas e a volta da soberania nacional e do seu povo.

 

* Iraquitan da Silva – presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Pernambuco (SINDGRAF-PE) e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas (CONATIG)

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