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Em 6 de janeiro de 2016 - às 11:09

O EMPODERAMENTO DA MULHER

A questão feminina tem sido tema de vários questionamentos em todos os setores da sociedade. Muitas são as mulheres que se ocupam deste tema, que sempre aponta para a diferença que a sociedade patriarcal nos impôs, e que nos desfavorece em vários aspectos da vida. A questão feminina não pode ser analisada sem se levar em conta a complementariedade com a questão masculina na sociedade. O homem e a mulher precisam repensar sua condição na sociedade, no casamento e na família, para que a reformulação do papel e da imagem de ambos possa se dar. Assim, temos que repensar a questão da mulher e a questão do homem.

 

 

Sempre que abordamos a questão feminina, abordamos a inferioridade de condições às quais a mulher está submetida.

Fala-se que:

• a remuneração da mulher é mais baixa

• o volume de trabalho da mulher é maior

• a divisão de responsabilidade é desigual

• os direitos da mulher ainda não foram conquistados na integridade, etc.

 

 

O empoderamento da mulher pressupõe mudança nestas premissas de gênero.

 

 

A mulher tem experimentado um acúmulo de papéis muito maior do que imaginava que iria viver após sua liberação na sociedade moderna. Desde que entrou para valer no mercado de trabalho, e vem enfrentando os desafios de sua profissionalização, acumula mais e mais funções dentro e fora da família. Este acúmulo faz com que ela trabalhe mais do que o homem, enfrente uma multiplicidade de afazeres, continue educando seus filhos, e se torne cada vez mais forte e resistente. Entretanto, a mulher faz e faz, mas não consegue do homem que ele faça sua parte na mesma medida. Por quê?

 

 

Porque ela ainda se vê na condição de responsável por cuidar da família e cuidar do marido, sustentando uma imagem tradicional de si mesma, ao mesmo tempo em que vivencia uma realidade bem diferente no trabalho. A autoimagem da mulher continua parecida com a de antes, e ela própria se submete ao que a tradição de seu gênero pressupunha.

 

 

O empoderamento da mulher passa, portanto, por uma transformação no conceito que ela tem dela mesma, em sua autoestima.

 

 

A autoestima é o valor que damos a nós, o respeito por nosso ser, o sentimento de que podemos ser amados, e de que somos dignos do amor do outro e de nós por nós mesmos. Autoestima define quem somos, perante nós mesmos, e como participaremos do mundo que nos rodeia.

 

 

Se uma mulher tem baixa estima, espera pouco de si e dos outros. Ela pensa que primeiro deve servir ao outro, e se coloca por último na busca de satisfação de suas necessidades. Ela pode escolher um parceiro que não a respeita, por pressupor que não precisa ser respeitada. Ela não tem consciência disto, o que é o pior dos fatores que a oprimem.

 

 

A pior opressão é a que vem de dentro do ser humano. É aquela que a própria pessoa se impõe, após ter sido oprimida pelo outro durante seu processo de desenvonvolvimento. É a opressão que a pessoa coloca para dentro e depois atua policiando a si mesma, desconhecendo que interiorizou a repressão.

 

 

A mulher interiorizou esta repressão e seu processo de inferiorização é histórico. O resultado é sua baixa autoestima, que a coloca como servidora do outro, e a faz sabotar seu potencial.

 

 

Recriar uma identidade de indivíduo é ser capaz, portanto:

de respeitar-se e ser respeitada,

de valorizar-se e ser valorizada,

de cuidar sem ser servil,

de cooperar sem ser submissa.

 

 

A construção da autoestima é o caminho para a mulher reformular sua questão de poder, de dentro para fora. Não adianta conquistar poder na sociedade, se a mulher continuar a ser a única cuidadora dentro da família e interiorizar esta função.

 

 

Empoderamento significa a mulher apropriar-se de seu direito de existir na sociedade.

 

 

Para empoderar-se ela precisa reconhecer-se neste direito. Sua estima é a base de tudo. Luta por seus direitos quem os reconhece, mas acima de tudo quem se reconhece como digno deles.

 

 

O empoderamento da mulher passa por vários caminhos: na sociedade, pelo conhecimento dos direitos da mulher, pela sua inclusão social, instrução, profissionalização, consciência da cidadania.

 

 

No plano familiar, o empoderamento passa pela justa divisão de responsabilidades com o cônjuge (financeira e doméstica), pela educação igualitária dos meninos e meninas, fazendo que ambos sejam responsáveis pelas tarefas domésticas e pela preocupação com a família, tanto quanto com a subsistência e a profissionalização.

 

 

No plano conjugal/relacional, o empoderamento da mulher passa pela responsabilização conjunta pela anticoncepção, pelo respeito à integridade e à dignidade da mulher enquanto ser humano (impedindo assim a violência ).

 

 

No plano individual, o empoderamento passa pela reformulação profunda da identidade da mulher, que precisa conhecer a si própria como digna de reconhecimento e valorização.

 

 

Este é o ponto de partida!

 

 

 

fonte: http://www.intercef.com.br/artigos/o-empoderamento-da-mulher.php

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