(81) 3222.5390 - 3221.3099
Em 31 de maio de 2019 - às 8:45

O trabalhador gráfico pode fazer mal ao outro gráfico por dinheiro?

Gráfico, antes defensor de direito, mas hoje dono de gráfica, pode ter de pagar mais de R$ 100 mil depois de por mais de 5 anos obrigar seu trabalhador a jornada diária de 12h e mais seis horas todo sábado e sem pagar nada

O dinheiro pode modificar a atitude de um bom trabalhador para o mal? Pode! E faz isso quando acha que vale tudo para ganhar dinheiro. Até mesmo prejudicar outro trabalhador e contrariar o mandamento de Deus (amar o próximo como a ti mesmo). Esta semana um caso ocorreu e foi parar na Justiça do Trabalho, a pedido do Sindicato da classe (Sindgraf-PE), que defende a coletividade e não a individualidade e nem ganância. O caso ocorreu em uma gráfica onde o dono já foi funcionário de outras e já recorreu à Justiça do Trabalho para garantir seus direitos negados. Já como patrão, um dos seus empregados com cinco anos no local, só teve um ano de carteira assinada. E pior, laborava 12 horas de segunda à sexta e 6 horas todo sábado. Só tinha 15 minutos para comer. Não recebia hora-extra. Não tinha vale-transporte, adicional de insalubridade.

 

“A lista de sonegação de direitos gerais, até mesmo de férias e 13º salário, é significativa. E o pior que está sendo aplicado por uma gráfica onde seu dono foi um trabalhador gráfico por muitos anos e que sempre foi defensor dos direitos trabalhistas quando era empregado”, conta Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf, questionando a classe se vale tudo por dinheiro.  Talvez o dono dessa gráfica pense que sim. Mas pode ter que pagar pelos seus atos, antes de chegar do céu. O sindicato já partiu em defesa do trabalhador. O processo foi parar na Justiça do Trabalho. A causa ultrapassa o valor de R$ 100 mil.

 

Apesar do processo, ao invés de reconhecer a sua falha e de ver o mal que já casou ao gráfico e por não praticar a tese do amor ao próximo, o dono da gráfica ainda maltratou mais o trabalhador. Na 1ª audiência da Justiça, nesta semana, ofereceu só R$ 8 mil por todo mal praticado. O gráfico recusou e o processo continua. Já ofereceu depois R$ 15 mil. Mas a busca por justiça segue. O Sindgraf está defendendo o empregado firmemente.

 

A relação de atrocidades que um ex-trabalhador gráfico que virou patrão contra o seu empregado, demitido agora em fevereiro e sem receber nem mesmo as verbas rescisórias e aviso prévio, é grande. Não pode nem dar entrada no Seguro-Desemprego e no FGTS. Aliás, o FGTS inclusive tem muito pouco depositado em relação ao tempo total na empresa. Também falta o pagamento das férias e 13º salário dos anos em que sua carteira de trabalho não foi assinada. O sindicato está cobrando tudo isso e mais, como horas-extras negadas e todo o tempo negado da refeição, bem como os valores do vale-transporte e diferenças salariais e etc..

 

Adicional de insalubridade

 

Outra maldade feita contra o gráfico para acumular mais dinheiro foi não pagar seu adicionalmente de insalubridade, mesmo ele trabalhando com tinta, solvente, querosene, restaurador e parafina de modo permanente e habitual de segunda à sábado, prejudicando a sua saúde. Nem pagou e ainda não entregou o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), que é o documento onde prova a sua atividade como especial, podendo ser usado para requerer a aposentadoria especial após 25 anos de serviço. A juíza do caso, Roberta Correia de Araújo Monteiro, já determinou um perito judicial para em 30 dias analisar as condições internas da gráfica. A ação nº 0000414-02.2019.5.06.0014 tramita na 14º Vara do Trabalho do Recife. Gráficos unidos, jamais serão vencidos. Sindicalizem-se!

 

 

[+ Informe Diário]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Responda: *