(81) 3222.5390
Em 24 de março de 2021 - às 9:16

Rara e em falta, gráficos tomam vacina que governo federal demora a comprar

O presidente (Del Roy) e conselheiro (Mococa) da Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig), ambos com mais de 70 anos, tomam vacina somente agora após mais de um ano do coronavírus no Brasil, que tem matado mais de 2 mil por dia. Ainda assim, frente às poucas doses que o governo Bolsonaro garantiu para o país até agora, vacinando com a 1ª dose só 9,3 milhões dos 77 milhões das pessoas classificadas como grupo de risco, sem falar de outros 150 milhões de brasileiros, os sindicalistas gráficos só poderão sair de casa depois de receberem a 2ª dose, está programada para o próximo mês. Ambos confessam a revolta diante do genocídio que tem ocorrido no país

O Brasil, que se transformou no pior país no mundo referente ao combate à pandemia, tendo o pico de quase 3 mil mortes diárias, quando os óbitos e contaminações diminuem no planeta, tem no governo federal o culpado pela situação na avaliação de um dos principais médicos e neurocientista brasileiro reconhecido internacionalmente, Miguel Nicolelis. Se levar em conta só a questão da vacinação, e olhe que há vários outros motivos, ele tem razão. Além da questão do negacionismo científico vinda diretamente do governo, verifica-se a inépcia no planejamento da compra suficiente de doses de vacinas contra a propagação do vírus. A compra realizada não atende nem 77 milhões dos 212 milhões de brasileiros considerados pelo governo como grupo prioritário. Não por acaso, apesar de mais de um ano da crise, o presidente da Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig), Leonardo Del Roy, 76 anos, só conseguiu se vacinar na última semana em Jundiaí. E graças à Coronavac, vacina ataca ideologicamente pelo clã Bolsonaro porque o imunizante foi criado por uma farmacêutica chinesa, país então atacado pelo presidente dos EUA até o ano passado.  

 

“A coronavac está salvando a parte do Brasil que vem tomando vacina. Se não fosse a ela, reproduzida pelos cientistas do Instituto Butantã, eu e nem outros milhões de brasileiros estariam iniciando a imunização contra a covid neste momento de crise”, fala Del Roy. Ele aguarda para tomar a 2ª e última dose até o final do mês. O experiente sindicalista gráfico tem toda razão no que diz. Segundo os dados do próprio Ministério da Saúde, em janeiro, fevereiro e até agora em março, a Coronavac foi a mais aplicada na vacinação dos 9,3 milhões de pessoas que já tomaram a 1ª dose e os 3,1 milhões que já receberam a 2ª dose até a última passada.

 

O número insignificante de vacinados do grupo de risco demonstra essa irresponsabilidade do governo federal quanto à imunização da população contra a covid, esta que já é a doença mais mortal da história do Brasil e do mundo. Não por acaso, 285 mil morreram só no Brasil em um ano. Morre-se mais do que em qualquer guerra. E a falta de vacina é um dos motivos. Só 3,1 milhões dos 77 milhões de brasileiros que são prioritários estão vacinados. Sem falar nos outros quase 150 milhões de brasileiros. “E isso só está acontecendo porque o presidente, que classificou o vírus de gripezinha, aposta em cloroquina, não usa máscara, critica isolamento social, não determinou a compra da vacina logo após criação desses imunizantes pelo mundo no ano passado”, critica o sindicalista gráfico.  

 

A coronavac, por sinal, só tem salvado uma parte do povo do país porque foi uma decisão do estado de São Paulo através da sua produção pelo Butantã. E, ainda assim, o governo federal demorou para autorizar sua produção e compra para o Brasil. Apesar disso, a Coronavac e a vacina Sputinik da Rússia foram as únicas que chegaram ao país nos meses de janeiro e fevereiro, sendo a coronavac a mais utilizada também em março, bem como está previsto pelo próprio governo federal o alto desempenho dela em todo 2021, tendo um menor risco de faltar por conta do Butantã.

 

“Não tem vacina porque o governo fez pouco caso da pandemia, quando no mundo todo, sobretudo países de grandes economias como o Brasil, trataram com as farmacêuticas”, diz Del Roy. Apesar disso, como se fosse algo positivo, o Ministério da Saúde anuncia agora que deverá vacinar toda a população de risco nos próximos três meses. Mas isto só acontecerá se as farmacêuticas entregar as vacinas. Sem falar nas falhas na distribuição das vacinas, o que têm ocorrido muito nestes primeiros meses. Todavia, pela previsão governamental, serão compradas 562 milhões de doses até o fim do ano. Serão Coronavac (130 mi), Astrazênica (222 mi), Covax (42,5 mi), Covaxin (20 mi), Sputnik V (10 mi), Pfizer (100 mi) e Janssen (38 mi).

 

Além da falta de vacinas por incompetência, o governo federal também está causando outro problema grave pela ausência de insumos médicos para a realização da intubação das pessoas com Covid nas UTIs, sem mencionar as questões com a falta de oxigênio já verificado. “Ao invés de assumir a sua (in)responsabilidade, continua buscando transferir para os governadores e prefeitos”, critica Del Roy. Além disso, diz o dirigente, o governo ainda tenta intimidar os gestores estaduais que buscam uma solução, através do isolamento social e outras medidas necessárias. “Basta, Bolsonaro! O brasileiro quer vacina e não quer morrer”, conclui.

[+ Informe Diário]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Responda: *