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Em 19 de julho de 2021 - às 10:35

Renda do gráfico cai com o aumento da comida e governo ataca empresa que pensar em dar vale-alimentação

Achando pouco, além de defasar em quatro anos o poder de compra do gráfico por causa do descontrole da alta inflação anual, mal permitindo com que os trabalhadores consigam manter a comida no prato da família, Bolsonaro agora decidiu incluir em sua Reforma Tributária uma medida onde criará dificuldades para que as gráficas possam garantir o vale-alimentação, mesmo com a carestia. O Sindgraf-PE convoca a categoria e também o setor patronal para reagir. SINDICALIZE-SE!

O descontrole do governo Bolsonaro na pandemia fez a inflação anual crescer mais uma vez no mês passado, já chegando a 9,22%. Isso impõe uma queda de quatro anos no poder de compra dos gráficos de Pernambuco. Enquanto derruba o poder aquisitivo dos trabalhadores, que veem a disparada do preço dos alimentos e outros produtos básicos, tendo de gastar quase toda a sua renda defasada somente para tentar manter a comida no prato, conforme aponta o Dieese baseado em estudo comparativo do salário recebido com o preço da cesta básica no mês de junho, o desgoverno decidiu, nesta semana, incluir na sua reforma tributária um dispositivo que resultará no aumento de imposto naquelas empresas que já concedem ou que pensam em garantir o vale-alimentação para os trabalhadores, atingindo em cheio o setor gráfico.
 
Caso tal medida desumana avance, pode prejudicar os gráficos que já recebem este direito através da liberalidade ou do resultado direto da luta e negociação do sindicato com a empresa, a exemplo na Indústria Renda, Cepe, CoopShop, Fasa e na Copiadora Nacional. Nesta última, o sindicato acionou até a Justiça porque o patrão suspendeu o vale-alimentação durante a pandemia. O Ministério Público do Trabalho Nacional também analisa este caso que ameaça a segurança alimentar.
 
Além do impacto naqueles gráficos que já recebem o direito alimentício da sua empresa, a qual é beneficiada por uma lei de isenção fiscal da década de 1970, esta que Bolsonaro quer acabar, os trabalhadores do restante das gráficas também poderão ser prejudicados de múltiplas formas. Uma delas passa pela dificuldade do avanço do pleito do Sindgraf-PE nas campanhas salariais para que mais gráficas ou todas elas optem pela inclusão do direito ao vale-alimentação ou vale-refeição para os seus empregados.
 
“Não quero acreditar que ainda tenha gráfico defendendo este desgoverno contrário à classe trabalhadora e até contra grande parcela do segmento empresarial, como no caso do setor gráfico nacional, que é composto por 97% de micro e pequenas empresas”, diz Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf-PE.
 
O Dieese, em estudo recente sobre salário e cesta básica, mostra que um trabalhador para alimentar uma família com quatro pessoas precisa de R$ 2.581,52 por mês. Este valor, por sua vez, já é superior ao piso do impressor gráfico em Pernambuco (R$ 2.261,87), mesmo este piso sendo duas vezes maior que o salário mínimo brasileiro (R$ 1,1mil). O desafio para manter a comida no prato é ainda maior para o gráfico que recebe o piso de ingresso nas gráficas do estado (R$ 1.389,79).
 
Portanto, com ou sem pandemia, o trabalhador e até mesmo o patrão gráfico não podem ter dúvidas que este governo prejudica o setor e com reflexo negativo maior sobre a classe trabalhadora porque precisará lutar se quiser manter a comida no prato.
 
Por falar em luta, o Sindgraf-PE já se prepara para começar a campanha salarial da categoria, que terá como bandeira de luta a vacina no braço e a comida no prato. A assembleia presencial para a deliberação da pauta de reivindicação será realizada em setembro, um mês antes da data-base da classe em todo o estado. O Sindgraf-PE garante luta. O gráfico garante o sindicato. SINDICALIZE-SE!
[+ Informe Diário]

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