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Em 4 de fevereiro de 2019 - às 4:59

Sem o resgate da luta, gráficos perderão legado do 7 de Fevereiro

É dever sindical organizar o gráfico para o enfrentamento de classes em prol dos direitos coletivos e ainda para a redução da desigualdade social

*Por Iraquitan da Silva

 

Na última sexta-feira (1º), faltando somente seis dias para os 96 anos do Dia Nacional do Gráfico, começou uma nova legislatura do Congresso Nacional. E, a partir do voto popular em outubro, para cada político ligado a entidades da classe trabalhadora, haverá cinco do setor patronal. Portanto, será sempre uma briga de cinco contra um quando a pauta for manter ou retirar direitos dos empregados. É a maior desigualdade entre representantes dos trabalhadores e patrões em 30 anos. Este será o cenário que o governo atual terá nos próximos 4 anos para buscar aprovar a ampliação da retirada de direitos trabalhistas e previdenciários e privatizações. Não adianta chorar. É fato! O Sindicato dos Gráficos (Sindgraf-PE) avalia que tudo foi resultado do voto da própria população, formada em sua maioria por trabalhadores e não empresário.

 

No entanto, como todo processo difícil pode provocar uma mudança em nosso comportamento, e para melhor, quando há uma consciência crítica e atitude firme, o Sindgraf-PE avalia que essa falta de consciência política da classe trabalhadora é de responsabilidade da maioria dos sindicatos. Segundo a entidade, deriva do acúmulo, nas últimas décadas, da falta de organização da classe trabalhadora para fazer o enfrentamento cotidiano aos patrões em defesa dos interesses mais sociais, da coletividade. Mas limitou-se às negociais burocráticas, sem o envolvimento e a participação efetiva da classe, para recompor/melhorar apenas questões econômicas.

 

Faz tempo que faltou e continua faltando a luta da maioria dos sindicatos para organizar a classe trabalhadora para fazer enfrentamento ao patrão e governos por uma sociedade menos desigual. Foi isso que os gráficos fizeram em 1923, responsáveis pela maior derrota do patronal ao garantir direitos coletivos para a classe pioneiramente, rebaixando a jornada diária de trabalho de 16 horas para 8 horas e legalizando o seu próprio sindicato. Foi por conta desse enfrentamento, de uma greve de quase dois meses, iniciada no 7 de fevereiro (dia que se tornou o dia do gráfico), mesmo sem qualquer proteção da lei, que até hoje temos os nossos direitos coletivos, os quais começaram a ser destruídos no governo Temer e piorará agora.

 

O legado (os direitos e o ensinamento de como deve ser a luta de classe) dos mártires do 7 de Fevereiro está sendo destruído por conta da maioria dos sindicatos diante da falta de organização da classe trabalhadora para fazer o enfrentamento aos patrões e às políticas contra os trabalhadores.

 

Os gráficos de 1923 nos provaram que nunca haverá um bom resultado sindical e social sem a participação efetiva da categoria nas negociações. Isso desperta a consciência da classe trabalhadora. É educativo para o despertar da luta de classe (capital x trabalho), eleva a correlação de força dos sindicatos para avançar em direitos negados pelo patronal e governo e é uma formação política, o que evitaria agora tantos políticos-patrões eleitos. A dor também pode ensinar. Sempre há tempo para mudar. É hora de todos sindicatos restabelecer o legado de luta de nossos mártires do 7 de fevereiro. Viva a luta da Classe Trabalhadora! Viva os Gráficos!

 

*Iraquitan– presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Pernambuco (SINDGRAF-PE) e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas (CONATIG)

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