(81) 3222.5390 - 3221.3099
Em 7 de março de 2018 - às 9:11

Sindgraf-PE homenageia símbolos vivos de mulheres gráficas nesta quinta

Fátima e mais gráficas aposentadas serão homenageadas nesta quinta, às 17h, no sindicato da classe (Sindgraf). O evento é aberto às mulheres da categoria. Participem e valorizem essas guerreiras - símbolos vivos das mulheres gráficas na luta por igualdade e justiça social. Saiba hoje um pouco sobre a vida de Fátima na 2ª matéria da série sobre cada uma. "Temer bagunçou tudo. Temos que dar a resposta na urna", diz Fátima.

Nesta quinta-feira (8), data que se celebra o Dia Internacional da Mulher, as mulheres brasileiras têm pouco o que comemorar frente a acelerada retirada de direitos também no campo profissional. As conquistas estão mais que em risco com a implantação da lei da reforma trabalhista. No caso das empregadas do ramo gráfico, onde a maioria estão no setor de Acabamento, estão ainda mais vulneráveis à redução de salário, direitos e da condição laboral, elevando a chance de doenças. Poucas manterão empregos e menos ainda se aposentarão. Tudo por conta desta nova lei de Temer e políticos aliados. E, se eles forem eleitos em outubro com o voto das mulheres e homens trabalhadores, desarquivarão a reforma da Previdência para elevar a idade e o tempo de contribuição da mulher e do homem para se aposentar, liquidando as chances de se ter tal direito.

 

Neste cenário, as mulheres trabalhadoras não têm o que festejar neste 8 de março, mas devem se unir e agir para iniciar a mudança da situação. Afinal,  a mulher é especialista em enfrentar e superar desafios. Razão pela qual há 100 anos nasceu este dia da mulher que luta por igualdade e justiça social. Várias dessas mulheres foram e são gráficas, sobretudo aquelas que conseguiram se aposentar na profissão, enfrentando toda a gama de situações de preconceitos, assédios, doenças e muito mais.

 

Uma das mulheres guerreiras é Maria de Fátima Wenceslau da Costa, que começou a laborar desde adolescente, aposentando-se após mais de 30 anos, alguns deles sem o registro, dificultando sua aposentadoria. O Sindgraf-PE torce que ao conhecer um pouco da vida de Fátima as gráficas que continuam na ativa percebem que só a unidade e ação em prol de sua própria dignidade pessoal e profissional pode protegê-las.

 

Mãe de três filhos, divorciada, aposentada, mas que continua na luta de forma autônoma e, como costuma dizer, independente financeiramente,  estas características são da vida de Fátima, que conhece como poucas as indústrias gráficas de Pernambuco. Em mais de 30 anos, passou por muitas, sendo que só em seis empresas de forma registrada, o que fez que ela trabalhasse por mais tempo até conquistar a sua aposentadoria – um direito que está cada vez mais em risco com as medidas de Temer.

 

Vaidosa, esta mulher de posicionamento firme e valores definidos desde jovem, tem clareza de como as trabalhadoras devem agir no campo pessoal e profissional para serem respeitadas e garantirem os direitos. Mas não por conta disso, Fátima deixou de enfrentar, como ainda ocorre nas empresas hoje, o desemprego, empregos precários, discriminação, preconceito, assédios morais e sexual, além da dupla jornada em casa.

 

Embora não exista fórmula mágica, o segredo para enfrentar tudo isso, segundo Fátima sempre teve clareza e aconselha as atuais gráficas, é  começar se dando o respeito e exigindo o mesmo, impondo-se como ser humano e mulher: “Gente, todo mundo precisa de emprego, mas todo mundo fica sem ele também; desemprego existe em todo lugar, não vale à pena manter/aceitar certos comportamentos para manter o emprego. Seja profissional, apenas isso. Contudo, sem união entre as mulheres e os homens, buscando a proteção do sindicato, será muito difícil vencer”,

 

Fátima sempre optou por se manter sindicalizada. Poucas vezes deixou de estar associada ao Sindgraf. Foi muito ativa nas atividades sindicais, exceto por questões de doença, ou quando foi morar distante do Recife, onde fica a sede do sindicato. Sempre buscou a proteção dos direitos dela e de toda a categoria, conquistas estas que geralmente alcançava, apesar da luta, inclusive de convencer mais gráficos(as) para se unirem. Ela trabalhou em mais de 10 empresas, a exemplo das gráficas Poligraf, Viana Leal, Contexto, IGB/Embrasa, Composer, Caminha e muito mais.

 

A consciência de classe em defesa da valorização, direitos e do salário da categoria continua marcante na vida de Fátima. Tanto que o fato que ela considera mais marcante ao longo da carreira foi ter tido participado da histórica greve da Intercom, em 1990, quando gráficos, jornalistas e radialistas fizeram a maior paralisação conjunta e em época de Copa do Mundo de Futebol. “Mesmo doente, tanto que fiz três cirurgias depois, mesmo assim fui para passeatas, para as portas das gráficas, tentamos fechar o jornal Diário. Com isso, tivemos um reajuste salarial de 20%”, lembra orgulhosa da sua atuação, que lhe rendeu convite para integrar depois a direção sindical, que teve que negar devida as cirurgias a fazer.

 

Fátima aconselha as mulheres gráficas que continuam trabalhando a se unirem sempre entre si, com os homens e com o sindicato para juntarem  condições para defenderem os direitos. Ela também manda um recado  para que todas as mulheres e homens trabalhadores abram seus olhos nas eleições de outubro, senão ‘tchau’ a aposentadoria e outros direitos.

 

“Temer (e seus políticos aliados) bagunçaram o país. E temos que dar a resposta na urna. Não vamos mostrar em palavra, mas em ação. Tenho minha vida definida, estou aposentada, mas minhas companheiras ainda estão na luta. Portanto, companheiras, não se iludam com gente da elite econômica. Lembre-se quem fez pelo trabalhador, pelo Nordeste e por PE. Temos que votar em gente da nossa classe. Vamos lutar. Vamos para rua outra vez. Vamos mostrar nosso ponto de vista, seja mulher ou homem. Temos que mostrar nossa garra. Somos trabalhadores”, aconselha Fátima.

[+ Informe Diário]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Responda: *