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Em 14 de abril de 2021 - às 10:13

Sindgraf-PE aciona MPT após JC demitir gráficos protegidos por lei

O Jornal do Commercio (JC) abandonou a sua versão impressa após 101 anos de lucros. Porém, como destacou o presidente JCPM na capa do periódico a poucos dias, o leitor continuará podendo acessar o jornal, “agora na versão digital igual ao desenho do impresso”. Portanto, isto posto, apesar de fechar a gráfica e neutralizar tais postos de trabalho, o jornal não acabou. Assim, apesar da tentativa de diálogo sindical com o JC, sem obter resposta, foram demitidos até gráficos com estabilidade perante a lei. Por isso, o Ministério Público do Trabalho foi acionado para o caso

JC é 100% digital desde abril. E pegou de surpresa não só os gráficos com essa decisão durante a pandemia, gerando a demissão de todos, mesmo após o anúncio anterior de que pararia a impressão só por semanas. Até os assinantes do impresso reclamaram nas redes sociais do jornal. Houve críticas pela falta de consulta prévia, pela exclusão do público idoso que só lê no papel, pela quebra de contrato do assinante e cobrança de ressarcimento, e muito mais. Apesar disso, o presidente do jornal (JCPM) falava em editorial na capa só das vantagens de continuar nas versões para PC, tablets e celulares. Mas não citou, por exemplo, a demissão de dezenas de trabalhadores gráficos sem preparação prévia.  Também não falou que demitiu até trabalhadores com os empregos protegidos pela lei, uma vez que fechou a gráfica, mas o jornal continua.

 

Muito antes de 1987, quando JCPM comprou o jornal, que o JC e o gráfico já possuíam uma identidade quase que única. O jornal foi criado no ano de 1919. Desde então, a relação entre eles é íntima, uma vez que trabalham de domingo a domingo no local, por gerações.  Além disso, mesmo após aceitarem ficar, em plena pandemia, cinco meses sem aumento salarial diante da promessa do emprego, foram sumariamente demitidos agora. “Não consideraram nada disso ou ninguém. Nem mesmo os trabalhadores com estabilidade empregatícia, a exemplo de sindicalista e cipeiros, protegidos pela lei trabalhista”, conta Iraquitan da Silva, presidente do Sindicato dos Gráficos (Sindgraf-PE), órgão filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

 

Quase que simultâneo ao momento da publicação do editorial de JCPM, anunciando que o “JC agora é 100% digital”, no último dia 30, Iraquitan recebia ofício do jornal informando o fim da atividade impressão e que garantiriam todas as verbas rescisórias dos demitidos, observariam a lei e que manteriam o diálogo aberto com o sindicato. Mas, só seis dias após disso, um ofício enviado pelo Sindgraf para o jornal ainda não teve respostas. A entidade alertava que como não houve o fechamento total da empresa, continuando ainda subsistente suas atividades, este fato, baseado na lei, ampara a estabilidade de alguns dos trabalhadores.

 

“Como não houve resposta e o jornal decidiu demitir a todos os gráficos, até os sindicalistas e cipeiros, estes com o emprego protegido, e já até depositaram as suas verbas rescisórias, recorremos ao MPT. O órgão já abriu uma apuração por meio do processo NF nº 000916.2021.06.0001”, fala Iraquitan. Ele conta que no ofício enviado ao JC também lembrou que continua à disposição do jornal para serem feitas as homologações das rescisões dos contratos de trabalho pertinentes, sendo obrigatório a apresentação dos exames médicos, Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), comprovante do depósito da multa de 40% do FGTS e etc. de cada trabalhador afetado. O Sindgraf garante a luta. O gráfico garante o sindicato. SINDICALIZE-SE!

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