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Em 12 de março de 2018 - às 10:11

TVGráficoPE mostra homenagem às mulheres gráficas aposentadas

"É preocupante ver as reformas de Temer e seus aliados acabando com os nossos direitos. Acabarão com a aposentadoria. Só vamos trabalhar e contribuir e não se aposentar se não reagirmos", alertou Mabel, de 57 anos, que conseguiu se aposentar após 30 anos como gráfica no jornal DiárioPE. Mabel foi uma das gráficas aposentadas homenageadas pelo Sindgraf no Dia Internacional das Mulheres. A sua vida será tema da 4ª matéria da série Mulheres Gráficas Guerreiras na luta por igualdade e justiça social

Na quinta-feira (8), data do Dia Internacional da Mulher, quatro mulheres gráficas aposentadas foram homenageadas pela Sindicato da classe (Sindgraf-PE) por seus longos anos de dedicação no trabalho e de luta  em defesa de suas dignidades e dos direitos trabalhistas e previdências da categoria. Receberam o reconhecimento em vida por suas trajetórias. Elas ganharam a placa Mulheres Gráficas Guerreiras por Igualdade e Justiça Social do Sindicato. Foram recebidas por integrantes do Comitê Feminino da classe (Lidiane Araújo, Elaine Almeida e Maria Gorete) e pelo presidente do Sindicato, Iraquitan da Silva. Cada homenageada falou de suas trajetórias presentes no evento no salão do Departamento de Aposentados. Confira abaixo alguns momentos na sua TVGráficoPE.

 

Mulheres gráficas homenageadas pelo Sindgraf-PE

– Gessy Moreira Feitosa – 67 anos e mãe de cinco filhos – Confira AQUI

– Maria de Fátima Wenceslau de Barros – mãe de três filhos – AQUI

– Helena Alice Barbosa, 65 anos – Confira AQUI

–  Mabel Lopes do Nascimento, 57 anos, mãe de uma filha – AQUI

 

“Hoje sou professora e tenha orgulho e saudades de ter sido gráfica dos meus 18 até 49 anos de idade, quando consegui me aposentar após um pouco mais de 30 anos na profissional da qual fez eu criar a minha filha Laís, comprar a minha casa e ajudar no tratamento de câncer de mama de minha mãe, que está curada graças a Deus”, disse Mabel Lopes do Nascimento, 57 anos, em entrevista a Lidiane (diretora do Sindgraf-PE). Emocionada e agradecida, ela lembra que o cuidado da mãe foi possível graças a atuação do Sindicato que entrou com uma causa na Justiça em sua defesa para que o jornal pagava alguns de seus direitos pendentes.

 

Mabel e algumas outras iniciaram no jornal um pouco antes da transição do produção por linotipo para offset. Ela lembra da sujeita e da bagunça daquele tempo. E de que era ainda as pouquíssimas mulheres no local. Ela tem orgulho de ter sido uma das desbravadoras junto às suas outras companheiras. Ela começou como digitadora, passando depois para o tráfego de material e chegou à coordenação de anúncio destacado. Mas  destaca a injusta e desigual renumeração entre os homens e mulheres. Fala ainda de outras questões negativas, a destaque do assédio sexual e da discriminação de homens em ver mulheres exercendo igual função.

 

“Faria tudo outra vez e igualzinho, apesar das dificuldades enfrentadas. Foram muitos anos inesquecíveis também de coisas boas na empresa. Fiz muitos amigos que levo até hoje, a exemplo de Lidiane que continua no jornal, e, corajosamente, como dirigente sindical para defender toda a categoria”, pontua Mabel com um semblante de saudades. Ela recorda que a unidade da classe era grande, sobretudo quando para defender  seus direitos e salário. Esta característica de unidade, mobilização e luta dos gráficos e gráficas trás na sua memória um dos episódios que julga mais marcante na sua carreira: fizemos greve inclusive de vários dias.

 

O atual silêncio e falta de reação da maioria da classe trabalhadora nas ruas, sem ocupá-las generalizadamente contra as reformas do Temer é que assusta e deixa Mabel mais preocupada atualmente. “A reforma da Previdência, por exemplo, acabará com a aposentadoria de quem ainda está trabalhando, mesmo na ativa e contribuindo para o INSS por anos. É preciso reagir como sempre fez o gráfico”, pontua Mabel. Para ela, os homens e mulheres trabalhadoras não podem só achar ruim as ações de Temer e os políticos/patrões, mandando no país, sem nada fazerem. A classe trabalhadora já fez isso no passado e precisa repetir urgente.

 

“Sou agora uma jovem senhora que continua aprendendo, acreditando que posso me ajudar e os meus companheiros, sei de nossa relevância enquanto mulher no segmento gráfico que passou por várias mudanças, inclusive enfrentando e vencendo desafios, como o da mulher poder ser gráfica e ter orgulho”, agradece Mabel a homenagem feita pelo Sindgraf, entidade da qual ela considera ser formada por homens e mulheres que continuam corajosos, acolhedores e dispostos a lutar em prol da classe.

 

Ela aproveita para deixar um conselho para as atuais gráficas que estão na ativa: “Sejam perseverantes e fortes. Vocês estão numa área que até pouco tempo era só de homens, mas que conquistaram este direito de ser o que quiserem, inclusive trabalhadora gráfica. Mas, não se iludam, sem unidade e luta, o retrocesso é certo. Unam-se entre si e com o seu Sindgraf. Isso sim pode fortalecer as mulheres e homens da categoria. Seja participativa dentro da empresa, mas também no Sindicato. Não se esqueçam nunca de que Temer e seus políticos/patrões aliados querem destruir a organização das(os) trabalhadoras(es), que se dá através da entidade sindical, a qual é tão bonita e importante para força da classe”.

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