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Em 8 de fevereiro de 2021 - às 10:18

Visionário, líder da greve dos gráficos previu desafio atual há 98 anos

Estamos fortes e vitoriosos hoje devido a nossa unidade, solidariedade e combatividade contra abuso patronal e do governo, conquistando direitos históricos, mas podemos perdê-los quando ficarmos fracos por deixarmos a nossa postura coletiva, organizada e mobilizada de classe trabalhadora. Essa foi a visão do grande líder da greve dos gráficos de 42 dias iniciada em 7 de fevereiro de 1923, quando era proibido a categoria ter sindicato.

Apesar do complicado cenário socioeconômico e político brasileiro contra o emprego, salário, direitos e condições laborais dos gráficos, agravados pela covid-19, o jogo pode ser virado em favor da classe trabalhadora. Há quase 100 anos, mesmo no período pandêmico da gripe espanhola, sem ter direitos coletivos e não podendo ter sindicato obreiro, foi o que ocorreu em prol dos gráficos. Bastou ter unidade, solidariedade e combatividade com correlação de força para iniciar em 7 de fevereiro de 1923 a greve de 42 dias. Vitoriosos, o líder do movimento grevista, João da Costa Pimenta comemorou, mas alertou: hoje, apesar de todos os desafios, ganhamos porque estávamos fortes, mas no futuro, perderemos se não mantivermos a nossa unidade e luta constante.

 

A vitória dos gráficos não foi pequena há 98 anos, mesmo com os desafios ainda maiores do que o atual. Apesar disso, todos juntos, transformaram a realidade de pandemia e da falta de direitos trabalhistas e sindicais, pois só por conta da greve tiveram seu sindicato reconhecido pela primeira vez pelo patronal e um conjunto de outros direitos coletivos, mesmo sem ter leis. Portanto, nascia no Brasil, pela 1ª vez, o direito do trabalhador se organizar sindicalmente e ter sua Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). “Não é por acaso que dizemos que a luta faz a lei”, conta Iraquitan da Silva, presidente do Sindgraf-PE, entidade que celebra 87 anos no mês de abril.  

 

João da Costa Pimenta tinha toda razão em 1923, não só em relação que a luta faz a lei, mas que não existe direito adquirido, ou seja, nada é eterno para o trabalhador depois de conquistado se não tiver resistência eterna. Hoje, quase 100 anos depois, a fragilidade da classe trabalhadora relativa à sua unidade, solidariedade e combatividade, deixando-a mais frágil em relação aos interesses neoliberais dos patrões e de políticos, já permitiu a aprovação da destruição de direitos da CLT e do Ministério do Trabalho, o congelamento de verbas e serviços públicas para as políticas sociais, a precarização da aposentadoria e a falta de políticas de emprego e renda.

 

O cenário é muito difícil, é verdade. Os poderes Legislativo (deputados e senadores) e Executivo (governo Bolsonaro) só criam leis em sua maioria contra a classe trabalhadora, retirando direitos existentes. “No entanto, o cenário ainda não pior que em 1923. É possível virar o jogo. Mas, como já demonstraram os gráficos há 98 anos, somente por meio da unidade, solidariedade e combatividade dos trabalhadores na sua rua, no bairro, no município e no seu sindicato, em busca de uma mudança em relação, sobretudo a geração de emprego e renda e a saúde pública”, diz Iraquitan.

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